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Texto de Cláudia Sales, arquiteta, urbanista e professora
Eu escolhi a docência porque dei certo como arquiteta, e não o contrário. E por isso sonho com um dia em que o ensino de arquitetura — o ser professor ou professora de arquitetura — seja visto como um exercício profissional tão valorizado, que tenha o mesmo respeito e a mesma importância quanto qualquer outro presente nas atribuições profissionais que envolvem o nosso campo. Eu sonho com um dia em que o exercício profissional da docência seja visto como um exercício de mercado, onde nós, professores e professoras, vendemos nossa força de trabalho em troca de um salário, assim como qualquer outro arquiteto ou arquiteta que oferece um serviço. Nós prestamos um serviço essencial à sociedade: o de formar os futuros profissionais que vão atuar nos escritórios, na assistência técnica, no restauro, no planejamento urbano, nas secretarias e em tantos outros espaços. Isso é uma responsabilidade imensa. Ser professor ou professora de arquitetura é também exercer a arquitetura — é trabalhar com o espaço, com o pensamento projetual, com a linguagem arquitetônica. Nós formamos o olhar, o raciocínio e a sensibilidade espacial daqueles que amanhã vão transformar as cidades e os territórios. Por isso, a docência não é um afastamento do mercado, é uma de suas formas mais nobres de atuação. Está, inclusive, prevista entre as atribuições profissionais do arquiteto e urbanista pela Lei nº 12.378/2010. Ensinar arquitetura é, portanto, fazer arquitetura — com a mesma complexidade, a mesma responsabilidade e o mesmo compromisso técnico e ético. Somos profissionais do campo, como qualquer outro que projeta, que planeja, que desenha, que constrói. Nós projetamos futuros profissionais. Feliz dia do professor e da professora para você, arquiteta, arquiteto urbanista, que fez da docência — e faz dela — a sua atribuição profissional por excelência. Hoje é o seu dia. E, como eu sempre gosto de finalizar as minhas falas: eu me tornei professora não porque fracassei como arquiteta, mas porque dei certo como arquiteta — e por isso escolhi a docência.
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A mobilidade urbana no contexto da revisão do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) foi pauta na Câmara Distrital e o IAB-DF esteve lá! O coordenador especial da comissão de Políticas Urbanas do IAB-DF, André Tavares, representou o Instituto na 6ª reunião técnica da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana na quarta, 8 de outubro. O arquiteto e urbanista, que também integra o Calunga Coletivo de arquitetos/as pretos, contextualizou o impacto da mobilidade no desenvolvimento dos espaços urbanos e afirmou que desenhar o transporte no contexto do PDOT é pensar o projeto de cidade que se quer, permitindo assegurar a mobilidade ativa, a integração entre modais e o desenvolvimento econômico que o serviço favorece, por exemplo. Também falou sobre a importância de concurso público para o setor e apontou a necessidade de mais transparência nos métodos para atingir os objetivos do plano. Foi um espaço importante para reunir atores políticos e técnicos, mas também para resguardar a relevância do envolvimento da população usuária dos serviços de transporte. André Tavares defendeu a ampla participação da sociedade na discussão de forma contínua por meio dos Planos Locais de Desenvolvimento (PLDs) e na estrutura do conselho distrital das cidades, como processo formativo para os cidadãos e cidadãs. "A educação urbanística é extremamente importante. Sinto que faltou a participação orgânica na construção do processo", afirmou, sugerindo o fortalecimento da conscientização da população para criar uma cultura de participação nas questões urbanas, a exemplo o respeito às faixas de pedestres - conduta adotada no DF no passado e que é reconhecida no país.
A reunião foi conduzida pelo presidente da Comissão, deputado Max Maciel, e contou ainda com a participação do Secretário de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal, Zeno Gonçalves; da Subsecretária de Políticas e Planejamento Urbano (SUPLAN), Juliana Coelho; do Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal (CAU/DF), Ricardo Meira; a da representante do coletivo PANÃ Arquitetura Social, Ludmila de Araújo Correia. O vídeo da transmissão ao vivo está disponível no canal da Câmara Distrital no Youtube. O Eixo II do Prêmio Amílcar Coelho Chaves - Edição departamental do PRÊMIO NACIONAL DO IAB 2025 no DF - celebra a criatividade e a inovação em ARQUITETURA DE INTERIORES E DESIGN, honrando projetos que definem a experiência espacial, a identidade visual e a materialidade dos ambientes.
Subcategorias: - Interiores Residenciais: Projetos concluídos e ocupados. - Interiores Comerciais: Ambientes internos em estabelecimentos comerciais. - Interiores Institucionais: Ambientes em instituições públicas ou privadas. - Expografia, Cenografia e Arquitetura Efêmera: Montagens e estruturas temporárias executadas. - Design de Mobiliário, Objetos e Equipamentos: Peças produzidas e em uso. - Comunicação Visual e Sinalização: Sistemas implementados em ambientes construídos. Todos os trabalhos serão avaliados por uma comissão julgadora de notório conhecimento! Na categoria Edificações, os convidados foram: Ana Laterza, Bruno Firmino, João Gabriel, Marcela Abla e Victor Delaqua! O IAB agradece e muito se alegra em contar com esse time na nossa premiação! Mais informações do Prêmio podem ser verificadas no site geral da premiação: link aqui! Para dúvidas sobre a premiação no DF: [email protected] O Eixo V do Prêmio Amílcar Coelho Chaves - Edição departamental do PRÊMIO NACIONAL DO IAB 2025 no DF - celebra as PRÁTICAS PEDAGÓGICAS transformadoras, valorizando experiências de ensino, pesquisa e extensão que formam arquitetos e urbanistas críticos, éticos e criativos.
Subcategorias: - Práticas em Ensino-Aprendizagem: Disciplinas, TCCs, oficinas e laboratórios. - Extensão Universitária e Interação Comunitária: Projetos integrando universidade e sociedade. - Inovação Pedagógica e Integração Escola-Território: Metodologias ativas, decoloniais e focadas em sustentabilidade e inclusão. Todos os trabalhos serão avaliados por uma comissão julgadora de notório conhecimento! Na categoria Edificações, os convidados foram: Jana Cândida, Leo Name, Martina Lersch, Patrícia Silva Gomes, Vilma Patrícia Santana Silva! O IAB agradece e muito se alegra em contar com esse time na nossa premiação! Mais informações do Prêmio podem ser verificadas no site geral da premiação: link aqui! Para dúvidas sobre a premiação no DF: [email protected] O Eixo IV do Prêmio Amílcar Coelho Chaves - Edição departamental do PRÊMIO NACIONAL DO IAB 2025 no DF - celebra a CULTURA ARQUITETÔNICA em sua essência, reconhecendo a produção intelectual, crítica, técnica e inovadora que amplia os horizontes da Arquitetura e Urbanismo.
Subcategorias: - Produção Intelectual e Reflexão Crítica: Livros, ensaios, podcasts e publicações. - Produção Visual e Audiovisual: Mostras de fotografia, filmes e documentários. - Curadoria e Eventos: Exposições, mostras e festivais realizados. - Inovação e Desenvolvimento Técnico: Softwares, pesquisas, patentes, técnicas tradicionais e saberes locais. Todos os trabalhos serão avaliados por uma comissão julgadora de notório conhecimento! Na categoria Edificações, os convidados foram: Érica Diogo, Gabriela Bilá, Gisele de Paula, José Leme Galvão Junior, Juliano Loureiro de Carvalho! O IAB agradece e muito se alegra em contar com esse time na nossa premiação! Mais informações do Prêmio podem ser verificadas no site geral da premiação: link aqui! Para dúvidas sobre a premiação no DF: [email protected] O Eixo III do Prêmio Amílcar Coelho Chaves - Edição departamental do PRÊMIO NACIONAL DO IAB 2025 no DF - celebra as ideias e ações que moldam o território, premiando projetos em URBANISMO, PAISAGEM E PLANEJAMENTO que contribuem para cidades mais justas, belas e sustentáveis.
Subcategorias: - Arquitetura da Paisagem – Obras Construídas: Praças, parques e jardins concluídos. - Projetos e Planos de Desenho Urbano: Propostas para bairros, conjuntos e sistemas urbanos. - Planejamento Territorial e Gestão Urbana: Planos diretores, políticas e instrumentos de governança. - Ativismo e Ações Urbanas: Intervenções, urbanismo tático e mobilizações comunitárias. Todos os trabalhos serão avaliados por uma comissão julgadora de notório conhecimento! Na categoria Edificações, os convidados foram: Camila Gomes Sant'Anna, Clarice Misoczky de Oliveira, Gabriela Tenorio, Raissa Monteiro, Raul Gradim! O IAB agradece e muito se alegra em contar com esse time na nossa premiação! Mais informações do Prêmio podem ser verificadas no site geral da premiação: link aqui! Para dúvidas sobre a premiação no DF: [email protected] O Eixo I do Prêmio Amílcar Coelho Chaves - Edição departamental do PRÊMIO NACIONAL DO IAB 2025 no DF - celebra a excelência em EDIFICAÇÕES, reconhecendo obras construídas que materializam o pensamento arquitetônico em suas mais diversas escalas e programas.
Subcategorias: - Residências Unifamiliares: Casas individuais concluídas. - Edifícios Multifamiliares: Prédios residenciais de múltiplas unidades. - HIS/ATHIS: Moradias de interesse social e assistência técnica. - Edificações Institucionais: Obras de caráter educacional, cultural, sanitário, etc. - Edifícios Comerciais, Industriais e de Serviço. - Restauro, Retrofit e Intervenções: Projetos executados em pré-existências. - Arquitetura Efêmera Construída: Estruturas temporárias e pavilhões. Todos os trabalhos serão avaliados por uma comissão julgadora de notório conhecimento! Na categoria Edificações, os convidados foram: Aníbal Verri, Gilson Paranhos, Manuela Dantas, Marcelo Savio e Maria Cláudia Candeia! O IAB agradece e muito se alegra em contar com esse time na nossa premiação! Mais informações do Prêmio podem ser verificadas no site geral da premiação: link aqui! Para dúvidas sobre a premiação no DF: [email protected] Luiz Henrique Dias, arquiteto e urbanista, associado do IAB-DF
Paulino Motter, jornalista e gestor público A morte trágica do arquiteto chinês Kongjian Yu, em acidente aéreo no município de Aquidauana, na região do Pantanal de Mato Grosso do Sul, é uma perda de dimensão global. Professor da Universidade de Pequim e criador do revolucionário conceito de “cidades esponjas”, ele deixa um legado que transcende a arquitetura: uma visão integrada de como os espaços urbanos podem dialogar com a natureza e, assim, preparar-se para os efeitos cada vez mais extremos da mudança climática. O acaso quis que essa tragédia ocorresse no mesmo dia em que o presidente norte-americano Donald Trump, em discurso na Assembleia Geral da ONU, desdenhou em tom jocoso o consenso científico sobre o aquecimento global, chamando-o de “o maior con job da história”. É impossível não ver aí uma ironia cruel: enquanto Trump desmoraliza a ciência, Kongjian Yu, pela força de sua obra, reafirmava na prática que a inteligência humana é capaz de oferecer soluções sustentáveis para a vida coletiva. Vivemos uma década decisiva para o planeta. Não faltam estudos contundentes e de amplo reconhecimento por nações e comunidades científicas. Os tempos são de mitigação, inovação e mudanças de rumos — exatamente o que Yu propunha em seus projetos, seminários e aulas. Como apresentou em eventos internacionais, como a Bienal de Arquitetura, e como acreditou ao longo de toda a sua carreira, o caminho possível passa por integrar cidade e natureza, ciência e sabedoria ancestral. Yu provou, em dezenas de projetos urbanos na China e em outros países, que a água pode ser tratada não como inimiga, mas como aliada. Inspirou-se nos ecossistemas naturais, como várzeas, pântanos e manguezais, para redesenhar metrópoles capazes de absorver, reter e reutilizar a água das chuvas. Sua ideia das cidades esponjas não é uma metáfora poética apenas: é uma resposta concreta a enchentes devastadoras e secas prolongadas. Graças a Yu, pelo menos 70 cidades no mundo já são “esponja” o suficiente para absorver volumes de água equivalentes à inundação que devastou Porto Alegre em 2024. Há uma dimensão simbólica particularmente pungente em o acidente ter ocorrido justamente no Pantanal brasileiro, o maior alagado contínuo do planeta. Ali, a alternância entre cheias e secas construiu um dos ecossistemas mais ricos do mundo, que funciona, por si só, como uma gigantesca esponja natural. Mas essa mesma região sofre ameaças graves: ocupações ilegais, expansão desordenada da agropecuária, queimadas criminosas e falta de políticas públicas consistentes para a sua preservação. O Pantanal, como lembrou recentemente uma série de reportagens exibida pelo programa Fantástico, é um espelho da urgência ambiental do Brasil. Foi justamente em uma série especial do Fantástico, intitulada “O Código Chinês”, exibida em agosto deste ano, que muitos brasileiros tiveram contato mais profundo com a obra de Kongjian Yu. Produzida pelo repórter Felipe Santana, a série explorou inovações e curiosidades da China contemporânea — dos carros voadores e transporte autônomo às cidades inteligentes e à robótica. No último episódio, exibido em 31 de agosto, o tema central foi a sustentabilidade, com destaque absoluto para o conceito das cidades esponjas. Logo na abertura, Felipe Santana sublinhou que Yu já havia realizado mais de mil projetos em 250 cidades, transformando enchentes em solução e devolvendo espaço às águas como forma de prevenir desastres climáticos. Na reportagem, o arquiteto conduziu o público por parques chineses concebidos para absorver a água das chuvas, mostrou como tradições ancestrais inspiraram suas soluções urbanas e, ao mesmo tempo, ofereceu exemplos práticos de como essa sabedoria poderia ser aplicada em metrópoles de todo o mundo — inclusive no Brasil. O episódio evidenciou a coerência entre a biografia de Yu, que quase morreu afogado na infância, e sua filosofia: “a água não é inimiga”. Uma mensagem simples e poderosa, que ressoou ainda mais com sua trágica partida no coração de um dos maiores ecossistemas aquáticos do planeta. Sua morte, em território brasileiro, deve ser lida como um testamento involuntário. Ela nos recorda que o Pantanal não é apenas uma paisagem exuberante ou uma reserva de biodiversidade, mas também um sistema vital de regulação hídrica. Se quisermos honrar a memória de Kongjian Yu, precisamos compreender que a luta pela preservação do Pantanal é também a luta pela sobrevivência das cidades, que, cada vez mais, enfrentarão extremos de calor, secas e inundações. Quando os líderes mundiais se reunirem na COP30, não poderão ignorar a lição. O legado de Kongjian Yu, interrompido de forma abrupta nos céus do Pantanal, ressoa como uma resposta serena e firme ao negacionismo ruidoso. Enquanto uns zombam da ciência, ele nos deixa um mapa de futuro: cidades que respiram, absorvem, devolvem à natureza o que dela recebem. Kongjian Yu morreu, mas suas cidades esponjas continuarão a nos ensinar que a arquitetura não é apenas arte e técnica — é, acima de tudo, esperança. stão abertas as inscrições para a Premiação IAB 2025 no Distrito Federal. O edital, que estabelece todas as regras do concurso, já está disponível, e os profissionais podem submeter seus trabalhos até o dia 26 de outubro. O resultado final será divulgado em dezembro, mês em que celebramos o Dia do Arquiteto e Urbanista.
Homenagem e Tema Especial Esta edição presta uma homenagem especial ao arquiteto e urbanista Amílcar Coelho, antigo dirigente do IAB/DF, falecido em janeiro deste ano. Amílcar foi uma figura fundamental na história do Instituto e um combativo defensor do projeto urbanístico original de Brasília. O tema da premiação, "65 anos: presenças e futuros", celebra as seis décadas e meia de atuação do IAB/DF e reflete sobre o papel da arquitetura e do urbanismo na construção da capital, dialogando com a Premiação Nacional de 2025, que aborda as Emergências Climáticas. Categorias e Selos de Destaque Os projetos inscritos devem se enquadrar em um dos seguintes eixos centrais: EDIFICAÇÕES ARQUITETURA DE INTERIORES E DESIGN URBANISMO, ARQUITETURA DA PAISAGEM, PLANEJAMENTO E CIDADES CULTURA ARQUITETÔNICA PRÁTICAS PEDAGÓGICAS Além das premiações principais, os jurados atribuirão selos de destaque para propostas que se destacarem em: EMERGÊNCIA CLIMÁTICA ATUAÇÃO PÚBLICA AÇÕES AFIRMATIVAS Organização e Comissão Julgadora A edição 2025 no DF está sob a organização da Diretora Cultural do IAB/DF, Cecília Almeida, e da Conselheira Superior, Raquel Freire. Os nomes dos integrantes das Comissões Julgadoras, responsáveis pela análise técnica dos projetos, serão divulgados em breve nas redes sociais do IAB/DF. Etapa Nacional Todos os trabalhos premiados na etapa distrital estarão automaticamente habilitados para a Etapa Nacional da Premiação IAB, cujo resultado está previsto para março de 2026. Participe! Não perca a oportunidade de inscrever seu trabalho e fazer parte desta celebração da arquitetura e do urbanismo brasilienses. Período de Inscrições: Até 26 de outubro de 2024. Para conferir todas as informações, regramentos e prazos, acesse o Edital Completo neste link! Amílcar Coelho, presente! Como ex-Diretor do IAB/DF, Secretário Geral e Conselheiro no IAB Nacional, Amílcar Coelho deixou um legado de luta pela profissão e pela democracia. Perseguido e preso durante a ditadura militar, ele foi um dos organizadores do "I Seminário de Estudos dos Problemas Urbanos de Brasília", em 1974. Recentemente, compartilhou suas memórias na exposição "A Construção da Profissão", marcando sua última contribuição pública. Sua trajetória inspira esta edição da premiação. No Setor Comercial Sul, um espaço compartilhado vem abrigando atividades profissionais de arquitetas e urbanistas e iniciativas de economia. Depois de anos ociosa, a sala 505 do bloco A do Edifício Mineiro tornou-se um ambiente moderno e acolhedor, que integra as áreas de recepção, reunião e trabalho, facilitando a comunicação e a troca de experiências entre a equipe. A mudança foi possível depois de um convênio estabelecido entre o IAB/DF, proprietário da sala, com as arquitetas Gabriela Cascelli, do Ateliê Cerratense; e Carolina Moreth, do Da Norte Atelier, vencedoras do edital de chamamento público proposto pelo Instituto. ECONOMIA E DEMOCRATIZAÇÃO DO ESPAÇO A reativação dos espaços do IAB/DF no Setor Comercial Sul era um objetivo da atual gestão. As salas 505 do Edifício Mineiro e 202 do Edifício Oscar Niemeyer foram adquiridas pelo IAB no final dos anos 1970. Mas o processo de esvaziamento e ocupação fragmentada que se abateu sobre o SCS resultou na ociosidade de diversos imóveis na região. Desocupadas, as salas geravam gastos em pleno processo de degradação. “Assim que começou nossa gestão, minha primeira ação foi visitar todas as salas do IAB no Setor Comercial Sul e foi triste ver espaços tão potentes, vazios”, conta o presidente Luiz Eduardo Sarmento. A solução proposta pela gestão 2023/2025 foi a publicação de editais de chamamento público para ocupação das salas. Além de suspender os dispêndios financeiros mensais do instituto, a alternativa garantiu a retomada da função social das salas e gerou oportunidades para os arquitetos e urbanistas. Era a chance que Gabriela Cascelli precisava. Arquiteta há dez anos, ela atua como paisagista desde 2018 e, assim como a maioria das profissionais em início de carreira, sentia falta de um espaço físico para desenvolver as atividades. "Na condição de profissional autônoma, a gente não consegue ter um escritório próprio porque não conta com um volume de trabalho que faça as finanças se equilibrarem nesse sentido", conta. Juntas, ela e a amiga Carolina Moreth, também arquiteta, decidiram participar do edital de uso das salas proposto pelo IAB/DF e foram selecionadas. Desde janeiro de 2024, quando o convênio foi estabelecido, elas passaram a compartilhar o espaço. “O imóvel estava super abandonado, ocioso, gerando gastos para o IAB. A gente conseguiu assumir a sala e colocar o espaço em uso com um bom equilíbrio de investimento e retorno”, conta. AMBIENTE RENOVADO O próximo desafio foi a transformação do espaço. Juntando as economias, as arquitetas reformaram o piso e as paredes, trocaram o ar condicionado e criaram mobiliário para tornar o ambiente coletivo e funcional. O esforço valeu a pena, garante. “Foi muito importante essa oportunidade do IAB/DF por que a gente não teria condição de ter um escritório por conta própria. O espaço físico permite que a gente se profissionalize, tenha um lugar para receber os clientes”, diz Gabriela. ESPAÇO COLETIVO Além do impulso profissional, Gabriela celebra a oportunidade de incentivar a comunidade criativa feminina. Isso porque outras profissionais foram convidadas a dividir o escritório. "A gente queria muito um espaço que pudesse proporcionar convivência com outras profissionais pra não ficar fechada no nosso mundinho”, conta. Atualmente, o espaço é usado por mulheres, incluindo mulheres negras. “Conviver com outras profissionais enriquece muito o nosso dia-a-dia. E é muito legal poder oferecer espaço para quem geralmente não tem, pois aqui em Brasília a maioria dos escritórios é ocupada por homens", conta. Para o presidente do IAB/DF, a reorganização imobiliária proposta pelo instituto tem sido muito bem sucedida. “É uma alegria ver as salas ocupadas por movimentos sociais, jovens arquitetas/os e perceber que estamos contribuindo com a reocupação do Setor Comercial Sul”, afirma Luiz Eduardo Sarmento. DE CARA NOVA Premiação José AparecidoNo dia 02/04 o Espaço Oscar Niemeyer recebeu a cerimônia de entrega do Prêmio José Aparecido, promovido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal. A equipe do IAB foi representada por André Tavares (Coordenador da CPU), Cecília Almeida (Diretora Cultural), Júlia Bianchi, Luiza Dias Coelho (Conselheira Superior) e José Leme (Coordenador de Patrimônio Cultural e Conselheiro Superior), membros da equipe do projeto premiado ''A Construção da Profissão''. A notícia sobre o prêmio pode ser conferida na íntegra. Fotos: cortesia da SESEC Exposição CurriculumEntre 08/04 e 07/05, Brasília recebeu a exposição internacional “Curriculum: Aprendizagem e experiência na Espanha da nova arquitetura latino-americana”. A mostra internacional, aberta à visitação na FAUUnB, reuniu obras de 32 profissionais da América Latina e foi viabilizada por meio de convênio envolvendo o IAB/DF, Universidade de Navarra (UNAV) e a Federação Pan-americana de Associações de Arquitetos (FPAA), além da própria FAU. A exposição reuniu trabalhos da Argentina, Equador e Chile, promovendo uma leitura contemporânea da produção arquitetônica no continente. Foi um espaço de reflexão sobre as experiências, influências e caminhos percorridos pela nova geração de arquitetos latino-americanos. Comitiva francófona em Brasília Um dia para integrar saberes da arquitetura brasileira e francófona. Em 17/04, o IAB/DF recepcionou uma delegação de arquitetas/os de países francófonos em Brasília. Representando a direção nacional do IAB, o presidente Luiz Eduardo Sarmento e o conselheiro superior Antônio Carlos Moraes de Castro receberam Christophe Millet, presidente da Ordem de Arquitetos da França; a diretora geral Marie-Aude Bailly-Le Bars; e os presidente e vice-presidente do Conselho Regional da Ordem na Guiana Francesa, André Barrat e Caroline Marie Calixte. Foi uma oportunidade para apresentar Brasília, nosso Patrimônio Mundial, explicar como funciona o sistema de ensino de arquitetura e urbanismo e divulgar o trabalho das entidades que atuam pelo avanço da nossa área no Brasil. Patrimônio é memóriaO presidente do IAB/DF, Luiz Eduardo Sarmento, foi palestrante na Semana dos Cursos do Centro Universitário Estácio de Brasília em 15/05. Sarmento abordou questões fundamentais sobre o patrimônio histórico, trazendo reflexões importantes sobre a preservação da memória e da identidade cultural. Um dos pontos centrais discutidos foi a perda de acervos e documentos ao longo do tempo. A palestra trouxe à tona a importância de valorizar e cuidar do nosso patrimônio, não apenas físico, mas também documental, que carrega consigo histórias, saberes e processos que formam a base da nossa construção coletiva. Apoio à culturaO IAB/DF aprovou nota de apoio à luta das/os servidoras/es públicas/os federais do Sistema MinC pela urgente reestruturação das carreiras e fortalecimento da cultura. Na manifestação, o instituto reconhece a cultura como “base da democracia, da diversidade, da capacidade crítica, da identidade, da criatividade, da inovação e da memória coletiva do país”. “Fortalecer a cultura brasileira passa, necessariamente, por fortalecer suas instituições e as/os suas/seus servidoras/es. São elas/es os verdadeiros garantidores das políticas públicas culturais e da continuidade institucional, mesmo em momentos de adversidade política”, diz a nota. Acesse na íntegra! Soluções para territórios metropolitanosA Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) recebeu, de 21 a 23 de maio, o Encontro Latino-americano sobre Governança Metropolitana. Representantes da Área Metropolitana de Barcelona (AMB), da Ciudadania Metropolitana Centro América e Caribe e do Ministério das Cidades, além dos membros da FNP, debateram modelos de governança metropolitana, mobilidade urbana, gestão ambiental e planejamento territorial das cidades. O IAB/DF foi convidado para coordenar uma visita mediada à quadra modelo do Plano Piloto de Brasília aos participantes do evento. O arquiteto Luiz Eduardo Sarmento, presidente do IAB/DF, conduziu uma caminhada pela 308 Sul, apontando seus componentes paisagísticos, artísticos, urbanísticos e arquitetônicos. Foi uma oportunidade para oferecer contexto aos aspectos do planejamento e desenvolvimento habitacional do DF. O público, formado por autoridades, especialistas e representantes de governos locais, conheceram um pouco mais sobre o inovador sistema educacional previsto para o DF, a partir das ideias de Anísio Teixeira, e a contribuição de Lúcio Costa para o urbanismo mundial. “Na sua ideia de superquadra, Lúcio Costa propôs o cinturão verde, muito pertinente em um momento de necessidade de adaptações das cidades no contexto das mudanças climáticas”, destacou Luiz Sarmento. Foto: Bruna Bezerra/FNP IAB/DF potente e independenteO IAB/DF realizou sua Assembleia Geral Ordinária com ampla participação de associados em 25/06. O encontro, realizado de forma presencial no escritório da entidade, debateu dois temas importantes que reforçaram a institucionalidade e o caráter cultural, político e associativo do Instituto. Um deles foi a gestão imobiliária, procurando otimizar o uso dos espaços físicos do instituto a serviço dos profissionais do DF. Outro foi o novo estatuto social que teve, entre as principais mudanças, a reestruturação da nominata da diretoria, com a criação de novos cargos e a redistribuição de atribuições para melhorar a gestão e a representatividade da entidade. Saiba mais no site! EUmies Awards em BrasíliaBrasília recebeu em 05/06 o 1º Encontro Brasil–União Europeia: Arquitetura, Pertencimento e Futuro Sustentável. Uma programação especial com palestras, colóquio e visita guiada, reuniu arquitetos e especialistas brasileiros e europeus para refletir sobre as cidades do futuro, inspirados pelos princípios da Nova Bauhaus Europeia e pelo legado modernista de Brasília. O evento contou com a organização do IAB e aconteceu no Espaço Cultural Renato Russo, que também recebeu a Exposição dos EUMies Awards com os 40 projetos vencedores do mais prestigiado prêmio europeu de arquitetura contemporânea. Fotos: Fernanda Coutinho (@fercoutinho) IAB/DF na mídiaA má conservação das calçadas em diferentes pontos do Distrito Federal foi pauta do programa Bom Dia DF, da TV Globo DF, em 24/06. A reportagem mostrou imagens de calçadas degradadas em Taguatinga, Brazlândia e Águas Claras, onde obstáculos gerados pela falta de manutenção dificultam o trânsito e colocam em risco a segurança de pedestres e ciclistas. O presidente do IAB-DF, Luiz Eduardo Sarmento, concedeu entrevista à equipe de reportagem para esclarecer sobre as responsabilidades de manutenção do passeio público. Ele destacou a importância do poder público incentivar a mobilidade pedonal, por meio da execução de calçadas com materiais adequados e de qualidade, na mesma medida que investe em vias destinadas aos veículos. Confira a reportagem na íntegra (a partir de 1h57) Vera França e Leite em BrasíliaA decana do instituto, Vera França e Leite, foi recebida em Brasília pelo IAB/DF em 13/06. Colaboradora ativa do IAB/RJ e do IAB/DF, Vera é autora do livro "Caminhos que levam à cidade - O protagonismo do IAB na Política Urbana”, publicado em 2020. Com a experiência de quem atuou como assessora nos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte para as questões relacionadas à Política Urbana e Habitacional, Vera é uma das mais importantes interlocutoras sobre a questão urbana no Brasil. Durante o encontro, a arquiteta e urbanista apresentou uma análise de conjuntura sobre o tema e debateu, com o presidente do IAB/DF, Luiz Eduardo Sarmento, e o Conselheiro Superior, José Leme Galvão Jr., os caminhos possíveis para as cidades brasileiras, em especial a metrópole brasiliense. Um ano da casa de cháEm junho, completou um ano da reabertura da Casa de Chá, símbolo histórico e arquitetônico de Brasília. O IAB/DF esteve presente nas comemorações para celebrar este importante equipamento que tem garantido conforto e vitalidade à Praça dos Três Poderes. A solenidade, realizada no dia 26, contou com abertura de uma exposição de fotos inéditas de Oscar Niemeyer. Estiveram presentes a Conselheira Superior Luiza Dias Coelho, o Conselheiro Superior Moraes de Castro e o presidente do IAB/DF, Luiz Eduardo Sarmento. Revitalização do SCSA potencialização do Setor Comercial Sul foi pauta de uma reunião entre o IAB/DF e o Coletivo NoSetor, importante organização de agitação cultural e mobilização social da região. O encontro, realizado em 27/06, buscou estreitar laços e planejar eventos conjuntos na área onde estão situados diversos escritórios de arquitetura, além do próprio escritório do IAB/DF. A intenção é promover ações que conectem a produção, pesquisas e lutas no campo da arquitetura e urbanismo com a vida urbana que existe na região mais dinâmica do Plano Piloto. Gilson Paranhos lança livro em BrasíliaO IAB/DF prestigiou em 17/06 o lançamento do livro "Desígnios e Desenhos", do arquiteto e urbanista Gilson Paranhos, em co-autoria com a escritora Luisa de Lavor. A publicação entrelaça as trajetórias pessoal e profissional do arquiteto, reconhecido por fomentar a Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS) e por seus projetos de impacto à frente da Companhia do Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab). A carreira e as relações profissionais e afetivas– incluindo trocas com nomes consagrados da arquitetura e da política de ATHIS, como Clóvis Ilgenfritz, Zezéu Ribeiro e João Filgueiras (Lelé) – estão reconstituídas na obra de Gilson, que é ex-presidente do IAB. Saiba mais! PDOT tem contribuições do IAB/DFA Comissão de Políticas Urbanas (CPU) do IAB/DF teve atuação destacada no primeiro semestre do ano. Coordenada pelo o arquiteto André Tavares, a CPU faz parte do Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do Distrito Federal (Conplan) e mobilizou os/as arquitetos/as e urbanistas do DF para a revisão do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT), além de outros processos importantes para o território.
Da mobilização à análise técnica, a Revisão do PDOT contou com o olhar atento do IAB/DF. O instituto fez uma análise profunda da minuta e ofereceu contribuições qualificadas. Também estimulou a participação e envolveu a sociedade nos debates ao promover um encontro sobre o PDOT no Armazém do Campo no dia 15 de maio. Entre as contribuições oferecidas ao projeto, o IAB/DF propôs a criação de mecanismo de mediação de conflitos fundiários e apontou brechas que poderiam permitir a criação de condomínios de luxo em área rural, o que conflitava com as prioridades de uso social da terra. Também fomentou o debate em veículos de comunicação e defendeu mais prazo para envolver a sociedade no debate. O IAB/DF também foi responsável pela relatoria do projeto junto ao Conplan e teve atuação decisiva na audiência pública final sobre o PDOT na Câmara Distrital em 28 de junho. Além disso, segue revisitando a minuta aprovada para criar pontos de destaque que facilitem o seu entendimento junto aos parlamentares antes da votação. Além da intensa atuação sobre o PDOT, o Instituto acompanhou a construção da metodologia das etapas preparatórias e estimulou a candidatura de delegadas e delegados do DF. No contexto das celebrações do Mês do Patrimônio Cultural, o Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento Distrito Federal (IAB-DF) republica, com autorização, o artigo Quando a cidade tropeça: por que Brasília não precisa de esferas, originalmente veiculado no Correio Brasiliense em 26 de agosto. Escrito por Rogério Carvalho, arquiteto restaurador e diretor curador dos palácios presidenciais do Brasil, o texto aborda, com profundidade técnica e embasamento patrimonial, a recente retirada das esferas do Setor de Diversões Norte, reforçando a importância de preservar a integridade do projeto urbanístico de Brasília e sua legibilidade original. Uma contribuição essencial para refletirmos sobre como intervenções aparentemente simples podem impactar a experiência urbana e o valor de nossa capital como patrimônio mundial. Leia abaixo ou acesse a publicação original neste link Quando a cidade tropeça: por que Brasília não precisa de esferas
A retirada das esferas do Setor de Diversões Norte representa uma ação fundamentada na preservação da identidade, da escala e dos atributos históricos de Brasília *ROGÉRIO CARVALHO, diretor curador dos palácios presidenciais do Brasil, arquiteto restaurador e curador de arte A retirada das esferas de concreto instaladas no Setor de Diversões Norte é uma medida tecnicamente imprescindível e respaldada pelo compromisso com a preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília e do Plano Piloto, tombados como patrimônio cultural brasileiro e reconhecidos pela Unesco. Brasília, concebida por Lucio Costa, é uma cidade planejada com extrema atenção à monumentalidade, à clareza dos percursos e à integração entre escalas — atributos que são diretamente violados pela introdução das esferas, que fragmentam a circulação, impõem obstáculos físicos e interferem na percepção espacial que caracteriza a cidade. O projeto original do Plano Piloto não é apenas um conjunto de construções isoladas; ele se configura como um organismo urbano integrado, em que cada via, vazio e edificação possui função, escala e significado. O equilíbrio entre áreas monumentais e gregárias, entre eixos residenciais e áreas de lazer, cria uma leitura espacial única, que distingue Brasília de qualquer outra capital. A inserção de esferas de concreto como barreiras físicas rompe essa integração, prejudicando a experiência do pedestre, comprometendo a continuidade visual e desrespeitando a lógica de deslocamento amplo, fluido e previsível que fundamenta a cidade. Além das questões de legibilidade urbana, há preocupações concretas quanto à funcionalidade e à segurança. As esferas são obstáculos claros para pessoas com mobilidade reduzida, usuários de cadeiras de rodas e deficientes visuais, que podem ter dificuldade em perceber e contornar esses elementos. Também aumentam o risco de acidentes para pedestres em horários noturnos ou sob baixa iluminação e representam desafios de manutenção, sendo suscetíveis a desgaste, vandalismo e necessidade constante de reparos. O impacto funcional, portanto, vai além da estética: trata-se de uma intervenção que afeta diretamente o uso seguro e inclusivo do espaço urbano. Outro ponto crucial é o contexto cultural e patrimonial. Embora se possa argumentar que a esfera possui valor simbólico ou artístico por sua geometria universal, o simples uso repetitivo de um objeto funcional como barreira física não constitui, por si só, obra de arte. A arte pública em Brasília sempre foi integrada à arquitetura e à concepção modernista do Plano Piloto, como se observa nas obras de artistas que dialogam com a cidade, respeitando a escala, a volumetria e os vazios planejados. A introdução de elementos descontextualizados, ainda que alegadamente lúdicos ou simbólicos, compromete essa integração e transforma espaços públicos em locais com elementos genéricos, deslocados e potencialmente conflituosos com a experiência sensorial e estética do patrimônio. É importante destacar que o tombamento de Brasília protege não apenas edificações isoladas, mas toda a configuração urbanística, incluindo seus eixos, vazios e alinhamentos. Qualquer intervenção que modifique substancialmente essa configuração — especialmente com barreiras físicas que não dialogam com o projeto original — representa uma ameaça à autenticidade e à integridade do patrimônio cultural brasileiro. A preservação do conjunto urbanístico não se limita a aspectos visuais ou históricos: ela envolve também garantir a acessibilidade, a segurança e a fruição plena de todos os cidadãos, em consonância com os princípios que fundamentaram a cidade. Além disso, soluções alternativas já comprovadas em contextos urbanos podem cumprir a função de controle de fluxo de pedestres e veículos sem comprometer a monumentalidade e a experiência urbana de Brasília. Balizadores verticais discretos e bem sinalizados, faixas de pavimentação diferenciadas que delimitam áreas de circulação e outras estratégias de ordenamento urbano cumprem a mesma função prática, respeitando a escala, a identidade e a lógica modernista do conjunto. Diferentemente das esferas, essas soluções mantêm a fluidez e a legibilidade do espaço, respeitam a acessibilidade universal e reforçam a experiência sensorial positiva do pedestre. Portanto, a retirada das esferas do Setor de Diversões Norte não representa uma rejeição à criatividade, à inovação ou à experimentação urbana, mas, sim, uma ação fundamentada na preservação da identidade, da escala e dos atributos históricos de Brasília. Intervenções urbanísticas e artísticas devem sempre estar a serviço da cidade e de seus habitantes, e não em conflito com o projeto original que a torna única. Garantir que cada elemento do espaço público esteja em harmonia com o conjunto urbano é assegurar que Brasília continue sendo um patrimônio cultural brasileiro e mundial, capaz de proporcionar experiências seguras, acessíveis e significativas para a população presente e para as futuras gerações. O IAB/DF será o organizador do concurso público nacional que vai escolher o projeto arquitetônico para o Anexo do Cine Brasília. O acordo entre o Instituto e o Governo do Distrito Federal para o lançamento da concorrência foi formalizado durante a coletiva de imprensa oficial do Festival de Brasília nesta quarta, 20 de agosto.
O Secretário de Cultura e Economia Criativa do DF, Claudio Abrantes, lembrou que a construção de uma edificação anexa ao Cine Brasília, patrimônio e referência da vida cultural da Capital Federal, era prevista no projeto original do arquiteto Oscar Niemeyer. A proposta deverá abrigar um ambiente administrativo, sala e cinemateca, entre outros espaços. "Esperamos em breve ter esses projetos em mãos para, então, passarmos à obra, e para isso contaremos com a expertise do Instituto na realização dos concursos", afirmou o secretário. O presidente do IAB/DF Luiz Eduardo Sarmento agradeceu a oportunidade de tornar o projeto uma realidade. "É um momento de muita emoção porque este é um sonho antigo de nós, arquitetos e urbanistas. Espero que consigamos, mais uma vez, fazer um concurso público nacional que seja exemplo de licitação pública e que possamos alcançar um projeto vencedor de excelência, à altura dessa grande casa, desse projeto de Oscar Niemeyer, que é símbolo vivo da nossa cidade", declarou. Prezadas associadas e prezados associados,
As eleições para o Conselho Diretor, Conselho Fiscal e Conselho Superior do IAB-DF estão se aproximando. O processo inicia-se agora e se encerra em dezembro de 2025. Solicitamos especial atenção ao calendário eleitoral: 27/08 | Instalação da Comissão Eleitoral; 28/08 | Publicação de convocatória 30/09 | Data limite para quitação de débitos e realização de associação - condição necessária para votar e ser votado - ou atualização de dados; 31/10 | Prazo final para inscrição de chapas; 07/11 | Homologação das chapas; 08/11 a 26/11 | Apresentação de propostas pelas chapas e campanha; 27 e 28/11 | Realização das eleições do Departamento. até 01/12 | Homologação do resultado A associação e atualização da associação pode ser solicitada pelo nosso site: Associe-se A verificação da situação com o IAB-DF pode ser solicitada por meio de nossos contatos institucionais: [email protected] e whatsapp: +55 61 99285-3081 Lembramos que apenas associadas e associados regulares podem participar do processo eleitoral. Conforme deliberado em assembleia, para este processo eleitoral deve-se seguir o novo estatuto do IAB-DF, disponível em Estatuto e em pdf Participe e construa o futuro do IAB-DF! Atenciosamente, IAB-DF – Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Distrito Federal No dia 31 de julho, celebra-se o Dia da Mulher Arquiteta e Urbanista, uma data que simboliza a resistência, a luta por visibilidade e a busca por equidade em uma profissão como tantas historicamente marcadas por desigualdades de gênero. A criação dessa data não foi um acaso, mas o resultado de anos de mobilização, pesquisas e articulações lideradas por mulheres que desafiaram estruturas institucionais para garantir que as vozes de 64% da categoria, segundo o II Censo das Arquitetas e Arquitetos e Urbanistas do Brasil, fossem ouvidas. Entre essas vozes está a da arquiteta e urbanista Ana Laterza, cuja trajetória profissional e acadêmica reflete um compromisso incansável com a justiça social e a representatividade na arquitetura.
Formada pela Universidade de Brasília (UnB) e com especialização em Restauro e Valorização pelo Politécnico de Turim (Itália), Ana Laterza é mestre em Teoria e História da Arquitetura e atua há anos na área de patrimônio cultural e projetos públicos. Como servidora concursada do CAU/BR desde 2014, ela transcendeu as atribuições formais do cargo, dedicando-se a pesquisas e ações que evidenciam as desigualdades de gênero e raça na profissão. Foi no período em que assessorou a 1ª Comissão Temporária de Equidade de Gênero do CAU que ela mergulhou em um trabalho minucioso: tabulou dados, ouviu histórias e, mesmo em meio à pandemia, apresentou o 1º Diagnóstico de Gênero na Arquitetura e Urbanismo, um marco que expôs as disparidades enfrentadas por mulheres na área. Esse estudo foi crucial para que o Conselho oficializasse o 31 de julho como o Dia da Mulher Arquiteta, data que dialoga com o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha (25 de julho), reforçando a interseccionalidade da luta. A iniciativa inspirou o próprio IAB. Em 2020, o IAB Nacional criou a Comissão de Ações Afirmativas, núcleo dedicado a promover o reconhecimento e o enfrentamento às desigualdades no campo da arquitetura, alinhada às ações do próprio Instituto. O IAB/DF esteve entre os pioneiros e estruturou, ainda em 2019, a sua Comissão de Equidade de Gênero e Raça, atualmente Comissão de Ações Afirmativas, segundo o novo estatuto da entidade. Um legado que inspira mudanças Além de sua atuação no CAU, Ana Laterza é sócia-fundadora do ateliê Ladrilharia, onde une afeto e técnica na produção de ladrilhos hidráulicos, e é mãe de duas filhas, conciliando maternidade com uma carreira que exige constante reinvenção. Como Ouvidora-Geral do CAU (2022-2024), ela implementou práticas reconhecidas nacionalmente, premiadas pela Controladoria-Geral da União (CGU). Hoje, ela coordena a Rede Integrada de Atendimento do CAU e continua a fomentar políticas afirmativas, defendendo que a arquitetura só será democrática quando incluir todas as perspectivas sociais. Na entrevista a seguir, Ana reflete sobre os avanços e desafios dessa jornada, a importância de ampliar o debate para além do gênero — abrangendo raça, diversidade sexual e outras subjetividades — e como a articulação coletiva é essencial para transformar estruturas. Sua história é um convite para repensarmos: que cidades queremos construir e quem tem o direito de desenhá-las? Por que é importante atentar para a condição das mulheres que produzem arquitetura e urbanismo? Porque todas as pessoas devem ser vistas e incluídas; e essas mulheres por muito tempo estiveram às margens da profissão. Porque marcadores sociais e privilégios são inversamente proporcionais (quanto mais marcas, menos espaço) e nossas vivências são diversas e variáveis conforme a nossa localização ao longo dessa régua. Porque os seres humanos, por maior que seja a sua natureza empática, não têm a capacidade de compreender por completo os atravessamentos e subjetividades uns dos outros. Logo, um edifício, uma cidade, um território, uma paisagem, só serão realmente democráticos se a sua concepção considerar efetivamente a pluralidade e as diversas perspectivas de vida que compõem a sociedade. Como a data foi estabelecido o Dia da Mulher Arquiteta e por que foi escolhido o dia 31 de julho? Foi uma longa história coletiva (cheia de articulações, convergências e divergências) nos holofotes e também nos bastidores. A demanda para que o CAU olhasse para as desigualdades na profissão vinha, em grande parte, de fora das estruturas formais. Dentro da instituição, esse olhar ainda era restrito, e mesmo as alianças conquistadas nem sempre significavam adesão real à causa. Daí veio a pandemia e interrompeu um trabalho que vinha se consolidando a duras penas. Até março de 2020, eu assessorava a 1ª Comissão Temporária de Equidade de Gênero, cuja vigência se encerrou em pleno mês das mulheres e em meio a todas as incertezas e perdas trazidas pelo Coronavírus. Uma pesquisa ficou incompleta, e abracei o desafio de tabular as respostas por conta própria, muitas vezes nas poucas horas vagas entre a jornada de trabalho e a de cuidados. Esse "batidão" culminou em um dos dias mais especiais da minha vida: quando apresentei o 1º Diagnóstico de Gênero na Plenária do CAU/BR (Acesse aqui). Consegui transmitir a mensagem (ou melhor: parte dela) e, em um momento de muita comoção, o Conselho decidiu registrar a sua intenção de transformar os dados em resultados, através da demarcação daquela data como o Dia da Arquiteta e Urbanista, pegando carona também no simbolismo e relevância do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha (25 de julho). Não conseguiria ser exaustiva e nem justa na lista de nomes responsáveis direta e indiretamente por essa decisão, por isso a ausência de créditos - o que, a meu ver, fortalece o discurso de despersonificação dos processos decisórios. Mesmo assim, sou muito grata por ter sido parte desse movimento e por todo o apoio e confiança que tive. Como a experiência das mulheres afeta a produção profissional dentro da arquitetura e urbanismo? Acho que não dá mais para falar só de mulheres, por isso a minha pesquisa se redirecionou para as subjetividades 'não normativas'. Gênero, raça, afetividade, deficiência, e um calhamaço de outras categorias precisam ser sobrepostas, interseccionadas, misturadas (como uma pilha de transparências ou um poliedro caleidoscópico de dimensões) se quisermos chegar mais perto da verdade. Em resumo: todo mundo sem autorização de existir e ditar normas para essa existência (exceto quando se fala em eliminar existências alheias) tem experiências que deveriam afetar de forma muito mais efusiva a produção da profissão. As mulheres sim, é claro, mas não me sinto confortável em restringir esse discurso aos nossos próprios dilemas com o cuidado, o corpo, o ambiente doméstico etc., prefiro usá-los para levar outras pautas junto. Talvez seja pretensioso de minha parte esperar que se compreenda essa tentativa extrema de ruptura de estruturas vigentes, mas é o que mais me traz senso de justiça e vontade de seguir tentando desenhar "para leigo entender". Desde que este debate se consolidou dentro do CAU, você considera que houve avanços? Sim e não. Alguns avanços importantes, outros retrocessos relevantes. De um modo geral (e não só no CAU), as estruturas são frágeis e cíclicas; e poucas pessoas conseguem compreender a simultaneidade e complementaridade das urgências. Não sei nem contar quantas vezes ouvi um ‘é muito importante falarmos disso, mas....’. Sempre existe um ‘mas’. Tem um dado que a Cida Bento traz que para mim é muito didático: “Estudo feito pelo IBGE - 1996, traz um quadro bastante interessante. A evolução da escolarização entre os grupos assume trajetória semelhante, mantendo a diferença entre brancos e negros, ou seja, todos se beneficiam com mais escolarização, mas a desigualdade entre negros e brancos permanece inalterada.” (Acesse aqui) Ou seja, valorizar a profissão não vai aproximar as duas curvas, vai apenas fazer com que as duas cresçam, mas uma sempre permanecerá acima. É por isso que existem as chamadas ‘políticas afirmativas’ – para corrigir distorções e nivelar trajetórias em uma única curva de oportunidades. Como a escuta por si só não parece convencer, para leitores céticos que quiserem mais dados, recomendo o 1º Diagnóstico de gênero na AU (Acesse aqui), a minha dissertação de mestrado “O censo do CAU sob um olhar interseccional: retrato da inequidade na arquitetura e urbanismo; (Acesse aqui) e os Cadernos de Políticas Afirmativas do CAU/BR (Acesse aqui). Como o assunto vem reverberando atualmente dentro da estrutura da autarquia? Acho que ele está latente. Há quem leve adiante, há quem sinta, há quem levante a bandeira, mas nunca o suficiente, porque nossa estrutura não é efetivamente representativa. Não tenho muitas respostas e soluções, o que não deveria invalidar a pertinência da crítica. Pessoalmente, confesso que me autoconcedi um momento de pausa, já que só se chega a uma reta final coletiva com revezamento. Saber contribuir é também saber quando recuperar o fôlego. Você considera que este debate tem evoluído para considerar as especificidades das arquitetas negras? Não o bastante, mas cada vez que alguma das vozes negras ou qualquer outra não normativa fura a bolha fico simultaneamente extasiada, reflexiva e ansiosa pelas reações alheias, esperando que haja abertura real dos outros para escutar e acreditar nas dores delas, que jamais sentiremos (veja só...) na pele. Como sempre diz a ex-conselheira e atual Consultora para o Mapa das Periferias do Ministério da Cidades, Camila Leal, a pauta racial vai rasgando fronteiras e gerando um efeito cascata: quando o CAU insere o tema no debate público, mesmo que timidamente pelas faltas de letramento e de pessoas negras em seus espaços, isso impulsiona que profissionais se reconheçam, se movimentem, se aquilombem e se fortaleçam para disputar mais espaços dentro da instituição e fazer com que a pauta continue avançando. Sem esse trabalho articulado e coeso, os esforços se perdem e as conquistas se enfraquecem. Como você acredita que o IAB/DF pode reforçar a luta por valorização profissional das arquitetas e urbanistas? O DF é uma unidade da federação com três títulos claramente dissonantes: o maior número de arquitetos por habitante (CAU x IBGE); as três favelas mais vastas do Brasil (Censo IBGE 2022); e a maior concentração de renda do país (Pnad IBGE 2024). O IAB, enquanto entidade de classe, carrega o peso histórico, a missão social e a liberdade organizacional para se posicionar frente a essas contradições e catalisar profissionais de arquitetura e urbanismo para um projeto de reparação dessas assimetrias e lacunas estruturais. |
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