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O Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Distrito Federal (IAB/DF) manifesta seu profundo pesar pelo falecimento da arquiteta e urbanista Maria Elisa Modesto Guimarães Costa, filha de Filha de Julieta Modesto Guimarães e Lúcio Marçal Ferreira Ribeiro de Lima Costa, e importante figura da história da arquitetura e do urbanismo de Brasília. Ao longo de sua trajetória, Maria Elisa manteve uma relação profunda com Brasília, não apenas por sua atuação profissional na construção da cidade, mas também por seu compromisso com a defesa de suas características urbanísticas e arquitetônicas e com a preservação da memória e do legado de seu pai. Sua atuação esteve ligada à compreensão de Brasília como uma obra urbana singular, cuja preservação deveria caminhar junto à possibilidade de transformação da cidade. Ao defender Brasília, Maria Elisa também se dedicou à preservação da obra de Lucio Costa, não apenas como legado familiar, mas também como patrimônio cultural mundial e como parte importante da história da arquitetura e do urbanismo brasileiros. Em suas manifestações públicas, procurou preservar a compreensão do Plano Piloto a partir de seus princípios originais, chamando atenção para os impactos de intervenções que poderiam comprometer sua estrutura urbana e sua identidade. Na década de 1980, participou, ao lado de Adeildo Viegas, da elaboração do estudo Brasília 57-85: do plano-piloto ao Plano Piloto, que analisou as transformações ocorridas na cidade e estabeleceu critérios para intervenções, usos e preservação do Plano Piloto. O trabalho contou com a supervisão de Lucio Costa e integrou o debate sobre a proteção das características fundamentais da cidade. Sua atuação na defesa de Brasília esteve presente também em conselhos e instâncias voltadas à preservação da cidade. Em diferentes momentos, Maria Elisa posicionou-se publicamente sobre intervenções que considerava capazes de comprometer as características essenciais do Plano Piloto. Em 2004, participou do lançamento da Frente Parlamentar em Defesa de Brasília e foi reconhecida como uma das defensoras da capital. Como presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 2003, Maria Elisa ampliou sua atuação na preservação do patrimônio. Também esteve à frente da Associação Cultural Casa de Lucio Costa, dedicando-se por décadas à organização, preservação e difusão da produção de seu pai. Nesse trabalho, reuniu um importante acervo documental sobre a vida e a obra de Lucio Costa e participou da edição de uma publicação dedicada à sua trajetória. Parte desse acervo encontra-se sob custódia da Associação Cultural Casa da Arquitectura, em Matosinhos, Portugal, instituição que reúne espólios de arquitetos de diferentes partes do mundo. Segundo informação do Conselheiro Superior do IAB/DF, Moraes de Castro, cópia de parte desse acervo também está sob custódia do Arquivo Público do Distrito Federal, em Brasília. Nascida em 22 de outubro de 1934, no Rio de Janeiro, na infância, Maria Elisa e sua irmã Helena acompanharam o pai nas conferências e viagens de trabalho, experiências que permitiram o contato direto com a arquitetura e alguns de seus grandes representantes, a exemplo do célebre arquiteto suíço Le Corbusier, com quem a família manteve relação próxima. Maria Elisa cursou arquitetura entre 1954 e 1958, na Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil. Uma década antes de seu ingresso, a faculdade havia se desvinculado da tradicional Escola Nacional de Belas Artes, onde seu pai graduou-se em 1924, e hoje a instituição corresponde à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em entrevista para o programa de história oral do Arquivo Público do Distrito Federal, a arquiteta rememorou momentos de seu quarto ano de faculdade, quando o pai desenhava os primeiros esboços para o projeto da nova capital. Na data-limite para submissão das propostas ao Concurso de Brasília, organizado pelo IAB, Maria Elisa e sua irmã acompanharam Lucio Costa até o edifício do Ministério da Educação e Saúde, onde o material foi entregue. Em 1959, após sua graduação, Maria Elisa iniciou seu trabalho no Departamento de Urbanismo e Arquitetura (DUA) da Novacap, no Rio de Janeiro, sob direção do engenheiro Augusto Guimarães Filho. O trabalho desenvolvido pela arquiteta no DUA incluiu o detalhamento de projetos diversos para Brasília, com enfoque no desenho urbano. Entre as contribuições de Maria Elisa para Brasília está o detalhamento de importantes espaços urbanos que integram a paisagem da cidade, como a fonte da Torre de TV e a Praça dos Pedestres na plataforma superior da rodoviária, elementos que contribuíram para a construção e a configuração dos espaços públicos da capital. Projetou também o edifício sede da Panair no Brasil (não construído), em conjunto com o arquiteto Elias Kaufman, primeira obra com coautoria feminina em Brasília publicada em periódico. Maria Elisa Costa deixa uma contribuição que ultrapassa sua produção como arquiteta e urbanista. Sua atuação na construção de Brasília, sua dedicação à preservação da cidade e seu trabalho de organização e difusão da obra de Lucio Costa fazem parte da história da arquitetura e do urbanismo brasileiros.
O IAB/DF se solidariza com seus familiares, amigos, colegas e com todos aqueles que tiveram a oportunidade de conviver com Maria Elisa Costa e aprender com sua trajetória. Maria Elisa Costa deixa uma importante contribuição para a história de Brasília e para a defesa de sua preservação, em uma trajetória ligada à proteção de uma cidade que integra o patrimônio cultural brasileiro e mundial.
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Agosto 2026
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