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IAB/DF assina manifesto em favor da mobilidade ativa e transporte público

 
O IAB/DF assinou o "Manifesto em favor da mobilidade ativa, do transporte público gratuito e do estacionamento rotativo", lançado pela organização Andar a Pé e outras entidades parceiras. A iniciativa defende a redução dos automóveis e dos espaços públicos privatizados pelo sistema de estacionamento na cidade, destinando-os ao uso público. O tema ganhou espaço no dia 1º de novembro  na feirinha da 216 Norte e reforçou a campanha contra a Zona Verde, proposta pelo Governo do Distrito Federal.

Por meio do manifesto, as organizações defendem medidas como a qualificação das calçadas e o aprimoramento do transporte coletivo com tarifa zero. Para viabilizar essas mudanças, sugerem o estacionamento rotativo e pago como forma de arrecadar recursos. 

"Como ocorre nas cidades mais modernas do mundo, o incentivo à mobilidade ativa e o transporte coletivo gratuito devem vir juntos com o desincentivo e a oneração do uso do automóvel - com justiça social. Para isso, o estacionamento em áreas públicas deve mudar da privatização desses espaços para poucos para a implantação do estacionamento rotativo, pago e gerido pelo Governo do Distrito Federal, com os recursos arrecadados destinados à mobilidade sustentável para todos.", diz o manifesto.

Essas soluções, apontam as organizações que subscrevem o documento, ainda permitem a redução de gases que pioram a qualidade do ar e provocam mudanças no clima.

Também assinam o documento o Fórum em Defesa das Águas do DF, as ongs Brasília para Pessoas, Panã Arquitetura Social, Rodas de Paz, Preserva Serrinha do Paranoá, o Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte, Movimento Popular por uma Ceilândia Melhor (MOPOCEM), a Rede Cidadã de Taguatinga (RECITA), o Fórum das ONGs ambientalistas do DF e entorno, e a Rede Urbanidade. 

Leia a íntegra do posicionamento

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Dia da Consciência Negra: Leia o Manifesto de Arquitetas e Arquitetos Negros do IAB DF na íntegra!

 
A formação em arquitetura e urbanismo é notoriamente desigual. [...] Esta barreira é uma das que perpetuam um ciclo de exclusão que nos priva de nossa capacidade plena de transformar não apenas a nossa profissão e a forma como é vista, mas também a arquitetura que construímos e as cidades que habitamos.
​
​     Hoje, 20 de novembro, celebramos o Dia da Consciência Negra, uma data que nos convida a refletir sobre as lutas históricas da população negra no Brasil e a importância de construir um futuro mais justo e inclusivo.
   Na arquitetura, um campo ainda marcado pelas lutas por equidade na profissão, a representatividade negra precisa ser fortalecida. Por isso, o Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Distrito Federal (IAB-DF) lança o Manifesto de Arquitetas e Arquitetos Negros, um documento que traz reflexões sobre os desafios e conquistas de profissionais negros no Distrito Federal e no Brasil.
        Este manifesto é um convite à ação, para que arquitetas e arquitetos negros tenham as redes de apoio fortalecidas, para reivindicar políticas públicas inclusivas e garantir que a diversidade da nossa sociedade esteja refletida em nossa profissão.

Leia o manifesto completo :


Manifesto de Arquitetas e Arquitetos Negros do IAB DF
Por uma arquitetura equitativa, diversa e representativa

Nós, arquitetas e arquitetos negros, reconhecemos o papel central que desempenhamos na construção de cidades e comunidades que refletem a pluralidade da sociedade brasileira. Representando mais da metade da população do Brasil e a maioria no Distrito Federal, é imperativo que nossas vozes, histórias e trajetórias sejam plenamente integradas e valorizadas na prática da arquitetura e do urbanismo.
Segundo o Censo IBGE de 2022, o Brasil é um país de maioria negra. Apesar disso, o espaço que ocupamos em profissões como a arquitetura, ainda é profundamente desproporcional à nossa representatividade demográfica. Essa disparidade reflete desigualdades estruturais históricas que precisamos confrontar e superar.

As políticas de ações afirmativas implantadas a partir de 2003, com a Universidade de Brasília sendo pioneira, trouxeram ganhos inegáveis, permitindo que um maior número de jovens negros ingressasse em cursos de arquitetura e urbanismo. Contudo, mesmo com esse avanço, os números ainda são irrisórios em relação à magnitude da população negra no Brasil.
​
Segundo o II Censo de Gênero e Raça do CAU/BR, realizado em 2020, apenas 4,33% dos arquitetos no Brasil se declararam pretos, e 18% se declaram pardos. Ainda mais alarmante é a situação das mulheres negras, chegando a ganhar quase a metade do que ganham os homens brancos na mesma profissão. Esta é uma realidade inaceitável que reforça a urgência de transformarmos a estrutura da profissão de arquitetura no Brasil.

​A formação em arquitetura e urbanismo é notoriamente desigual. Os altos custos para o acesso à repertórios, materiais e ferramentas de trabalho, combinados com uma remuneração média insuficiente, tornam o acesso e a permanência nos cursos ainda mais difíceis para jovens negros, resultando na evasão de profissionais ainda nos primeiros anos. Esta barreira é uma das que perpetuam um ciclo de exclusão que nos priva de nossa capacidade plena de transformar não apenas a nossa profissão e a forma como é vista, mas também a arquitetura que construímos e as cidades que habitamos.
É evidente a falta de políticas públicas voltadas para garantir a inclusão e a permanência de arquitetas e arquitetos negros no mercado de trabalho. A ausência de programas que promovam a seguridade econômica e profissional dentro de um campo ainda elitizado agrava a marginalização dos nossos profissionais.
Diante desta realidade, chamamos todos as arquitetas e arquitetos negros a se unirem para construir redes de apoio e articulação. Precisamos agir coletivamente para reivindicar políticas inclusivas e fortalecer a representatividade negra no campo da arquitetura e do urbanismo. A criação de organizações, fóruns e eventos que amplifiquem nossas vozes é essencial para transformar este cenário.
É nossa missão reimaginar e reconstruir a arquitetura no Brasil, garantindo que nossas cidades sejam desenhadas para refletir a diversidade de seu povo. O futuro exige que nós sejamos reconhecidos, para além das datas comemorativas, na criação de espaços mais justos e inclusivos. Convocamos governos, instituições de ensino e organizações profissionais a se unirem a este movimento. É hora de transformar a arquitetura e urbanismo em ferramentas para a equidade racial, promovendo uma sociedade onde a equidade e a representatividade deixem de ser exceção e se tornem a regra.
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MANIFESTO EM DEFESA DO EIXÃO DO LAZER COMO MANIFESTAÇÃO CULTURAL LIVRE

 
Nosso corpo – individual, coletivo, social – exige extensão nos espaços públicos. Nós somos uma sociedade livre e identificada por sua cultura. Com licença, Governador e agentes repressivos, nós vamos passar.

Conscientizem-se que os gestores públicos são obrigados a cumprir procedimentos republicanos para quaisquer alterações do uso público dos espaços públicos.

A fiscalização não pode ter “dois pesos e duas medidas”, menos ainda utilizar interpretações infralegais porque a norma decretada é genérica e empodera a ação dos agentes fiscais. Ou “ajusta” objeto e objetivos das leis maiores aos interesses particulares ou de grupos específicos ou ainda e pior, por razões políticas genericamente identificáveis, não republicanos.

Esse Decreto (46.226-03/09/2024) que regulamenta a Lei 4.757-14/02/2012, dispõe sobre a instituição do Eixão do Lazer), nada especifica e remete a um “Plano de Ocupação”, norma infralegal ainda inexistente. Enquanto a norma não vem a população fica sujeita ao cerceamento de seu direito de ir e vir, ao uso individual e coletivo nos espaços públicos. O que é isso? Um “arrastão” oficial? Entendemos que foi um erro político escorado em reclamações não explicitadas e análises técnicas falhas, que ensejarão inclusive inúmeras questões judiciais.

A regra é o uso livre, cabendo autuação apenas se demonstrado algum descumprimento da Lei. Por exemplo, a reclamação de ruído excessivo não parece ter sido verificada de forma técnica e nem comparada aos demais horários de uso do Eixo Rodoviário. E é improvável que as medições sonoras desde as unidades habitacionais, demonstram valores acima das normas. Mesmo que seja possível mensurar isoladamente as emissões sonoras dos grupos musicais, não teriam como se superpor às emissões de tráfego veicular e outros ruídos produzidos no dia-a-dia dos logradouros públicos.

Vale lembrar que o fechamento aos veículos nos eixos rodoviários sul e norte remonta a junho de 1991, com o apoio do governo – secretarias, PM e DETRAN. Desde então tem sido uma medida de total sucesso e adesão da população brasiliense - sendo um exemplo que passou a ser seguido por outras cidades brasileiras. O uso das faixas veiculares e gramados, em maior ou menor intensidade sempre foi apoiado e destacado como característica sociocultural da Capital. O Eixão do lazer se consolidou como locus de encontro da população da metrópole brasiliense em sua diversidade. 

Devemos lembrar também que outros espaços públicos têm uso frequente para eventos (Festas, feiras, paradas etc.), como o Eixo Monumental e as entrequadras. Com ou sem autorizações e apoios do GDF. Quanto às interferências nos espaços públicos é importante o Detran e a PM realizarem seus trabalhos como ações de suporte e orientação do uso coletivo - esportivo e cultural da cidade, de forma educativa, propositiva e menos repressiva.

As ações culturais, que em sua maioria envolvem artes ou processos artísticos, são realizadas por produtores/fazedores de cultura, e necessitam basicamente, além de suporte financeiro, de máxima liberdade de criação. O mercado popular que se organiza para atender a população em suas atividades de lazer no Eixão geram renda e garantem a sobrevivência de milhares de pessoas.

Quase sempre as ações de repressão visam o tolhimento dessa liberdade criadora, a mando ou demanda de segmentos conservadores da sociedade, chegando com alguma facilidade à truculência, com ou sem poder de polícia.

Ao invés de desrespeitar as liberdades democráticas e reprimir a arte livre, os gestores deveriam incentivar esse patrimônio cultural brasiliense, com iniciativas para melhorar as infraestruturas (travessias, calçadas e transporte público, por exemplo). Sr. Governador, restabeleça os zebrinhas aos domingos, nos circuitos necessários, tais como nos eixos, na avenida comercial de Taguatinga, no Parque da Lagoa em Brazlândia, entre tantos outros. O projeto Eixão do Lazer precisa ter seu acesso ampliado, assim como deve ser implantado nas demais RAs, e não reprimido por ser bem sucedido.

Feiras e festas no DF e no mundo, são tradições dos dias livres – domingos e feriados – justamente para ensejar à população momentos de interação e união.

Nessa linha e opostamente ao que o GDF fez e ameaça seguir fazendo, devemos resgatar mais usos tradicionais, renovados e recriados.


INSTITUTO DE ARQUITETOS DO BRASIL
DEPARTAMENTO DO DISTRITO FEDERAL

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É preciso um CEAU forte!

 

Pronunciamento do presidente Luiz Eduardo Sarmento por ocasião do início das atividades do CEAU.CAU.DF em 2023

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Boa tarde a todas e todos. Boa tarde colegas representantes das entidades que conformam o CEAU.DF. Boa tarde presidente do CAU.DF, conselheiros e servidores.
 
Poucos conselhos profissionais - autarquias públicas à serviço da sociedade - podem se beneficiar da existência de entidades profissionais tão ativas. Este é um dado importante e potencializador para o que o CAU pode ser.
 
Neste CEAU.DF (Colegiado de Entidades Distritais de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal - CAU.DF) temos o centenário IAB, a FNA, a Abap, a Asbea, a Abea, a Fenea,  entidades que ao longo de sua existência trataram da necessidade de se criar um conselho de arquitetura e urbanismo e, em maior ou menor grau, lutaram para que o CAU fosse hoje uma realidade.
 
Falando pelo IAB, posso garantir que esta luta pelo Conselho próprio percorre toda nossa história. Fomos fundados em 1921 por 27 profissionais que visavam organizar a profissão de arquiteto no Brasil, com metas práticas como definir a tabela de honorários, dentre outras atividades que, com o tempo, foi ficando evidente que deveriam ser tratadas também por meio de um braço do estado brasileiro.
 
A existência das entidades pode permitir muitos avanços na profissão e mesmo na gestão do CAU - complementando e realizando ações que o Conselho não teria condições, seja por falta de pessoal ou necessidade de focar em temas que as entidades não podem se debruçar, como a fiscalização e poder de polícia que o CAU tem; ou em iniciativas em que é legalmente impedido. As entidades podem ampliar ainda mais as possibilidades de gestão participativa de nosso Conselho -  seja na implementação de orçamento participativo; contribuindo com a curadoria e organização de eventos ou mesmo na promoção de debates políticos e técnico-políticos. As entidades gozam de autonomia e liberdade de ação que, em conjunto com a infraestrutura e capital humano do CAU, significa potência. Sempre que o Estado (ou mesmo um braço dele) atua em conjunto com a sociedade civil organizada, os resultados tendem a ser adequados, positivos.
 
As entidades também têm a possibilidade de tratar, com enorme profundidade, de temas específicos. Alguns assuntos, por exemplo, são tratados pelo IAB há mais de um século, outros tantos assuntos, há muitas décadas. Há muito acúmulo de conhecimento nas entidades.
 
Nesse sentido, o CAU.DF, que possui diversas atribuições legais - e fiscalizar talvez seja a principal delas, já que é uma atribuição que nenhuma entidade pode fazer (reforço esse ponto!) - pode ser valer da capacidade de debate, acúmulo, formulação, articulação, execução e capilaridade das entidades.
 
Um dos meios para esse trabalho conjunto - que amplia enormemente as ações de cada organismo, é por meio dos editais de fomento/patrocínio promovidos pelo CAU - e aqui entendemos que precisam ser ampliados ao limite do possível, como alguns CAUs UF tem feito. Tais iniciativas estão em consonância com o estabelecido com a Lei Federal nº 13.019, DE 31 DE JULHO DE 2014, que estabelece o regime jurídico das parcerias voluntárias.  A lei busca garantir, dentre outras coisas, “o reconhecimento da participação social como direito do cidadão”, fortalecer as possibilidades de acompanhamento da sociedade por meio da “integração e a transversalidade dos procedimentos, mecanismos e instâncias de participação social” e, principalmente, a Lei  13.019 tem como objetivo “a promoção, o fortalecimento institucional, a capacitação e o incentivo à organização da
sociedade civil para a cooperação com o poder público”.
 
Muito pode ser feito, e sugerimos verificar a possibilidade de:
 
- Editais específicos de Ocupação da Galeria do CAU.DF;
- Editais de “ajudinha”, à exemplo do CAU.RS, que tanto tem democratizado o acesso aos recursos do CAU e potencializado ações importantes e que não encontram guarida em outros cantos;
- Ampliação dos editais de patrocínio do CAU.DF ao limite do possível;
- Editais específicos para publicação de livros;
- Ampliar os editais para fomentar a Athis na prática.
 
Pensamos ser fundamental que tais editais sejam lançados levando-se em conta prazos exequíveis, entendendo que a função da transferência de recursos é também uma forma de fortalecer a organização da sociedade civil - para tanto, entendendo as dificuldades e a natureza da sociedade civil organizada, que não são empresas ou repartições públicas - que necessita se organizar para tais empreendimentos, montando equipes por projetos, mobilizando trabalho voluntário, etc. É preciso tempo e previsibilidade para que as organizações da sociedade civil submetam projetos em editais.
 
As sugestões acima, previstas em lei, permitem fortalecer os espaços de acolhimento, construção coletiva e escuta no CAU. Isso só pode fortalecer o Conselho e a sua missão primordial de defender a sociedade dos maus profissionais.
 
Colocado estes pontos, faz-se necessário entender e publicizar sempre o papel das entidades e o papel do CAU. Divulgar os papeis, as atribuições, penso ser também uma tarefa fundamental para o CAU hoje.  Maior conhecimento evitaria cobranças indevidas por parte dos arquitetos, ao mesmo tempo que fortaleceria as entidades fundadoras ao reconhecer e fazer saber das suas funções primordiais.
 
Por fim, colocamos o Departamento do IAB no DF em permanente disposição para atuar com o CAU e aqui cito um exemplo de ação que gostaríamos de fazer conjuntamente: avançar na criação de uma estrutura de guarda de acervos de arquitetura em Brasília - tão importantes e tão ameaçados.
 
Acreditamos que é fundamental um CEAU forte: que cobre, fiscalize, proponha e auxilie no aprimoramento do Conselho. Por vezes, para que haja aprimoramento é preciso haver críticas. Conhecendo as entidades e falando pelo IAB.DF, qualquer crítica é sempre acompanhada de proposições, de ideias, de projetos, de força e vontade de trabalho.
 
E esta capacidade de trabalho das entidades é melhor ilustrada quando lembramos que, ao agir conjuntamente, voluntariamente, um dos resultados foi a criação deste CAU.
 
O IAB.DF, compreendendo a relevância desse espaço consultivo do nosso conselho, tratará o CEAU, nessa gestão que se inicia, como prioridade.
 
 
 
Brasília, 16 de fevereiro de 2023
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Por que o Ministério das Cidades é importante

 
Ainda não conseguimos esclarecer a importância da pasta.
POR GÍLSON PARANHOS | 31.01.2023 11H02
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Que ótimo termos novamente o Ministério das Cidades! Que ótimo ver  comprovada que a Democracia é uma realidade em nosso país. Que ótimo ter um governo respeitado internacionalmente, comprometido e eleito pela maioria do povo brasileiro.

As boas intenções desse governo ficaram muito claras desde o momento em que o presidente Lula recebeu a faixa presidencial das mãos de representantes das minorias, dos mais vulneráveis.  Ao tomar posse, seus ministros declaram num mesmo tom que todas as pessoas, a natureza, os animais e o meio ambiente importam e, ainda que seja impossível emitir quaisquer avaliações referentes a esse novo governo que mal começou a trabalhar, assumindo as rédeas de um país com essa extensão dois meses mesmo antes de tomar posse, já conseguimos vislumbrar os primeiros passos do Brasil que sonhamos reconstruir se tornando real. Entretanto, é importante refletirmos logo neste primeiro momento a centralidade de um dos ministérios trazidos de volta pelo atual presidente: o Ministério das Cidades.

Minha avaliação é a de que ainda não conseguimos esclarecer à sociedade, e nem mesmo aos gestores públicos mais próximos, a importância do Ministério das Cidades enquanto indutor de um processo de extinção de vulnerabilidades, construtor de cidadania e de combate às desigualdades reinantes na sociedade brasileira.

Entre suas virtudes, o Ministério das Cidades se apresenta como um instrumento de produção de emprego e renda através do Minha Casa Minha Vida (MCMV), uma bandeira muito importante e que deve ser mantida, porém já passou da hora de avançarmos e conseguirmos atender às necessidades de nosso povo, necessidades que coincidem com os anseios do presidente Lula e dos gestores sérios de nosso país de maneira a multiplicar essa produção de emprego e renda, mas também atingindo os “pobres mais pobres”, como nos referíamos na Teologia da Libertação há alguns anos, no ambiente onde nasceu o PT.

No momento em que um banco como a Caixa cria – de maneira correta, como deve ser – um “filtro” para se proteger esses “pobres mais pobres” de perdem o acesso à sua casa própria de qualidade, fica nítido que essa é a parcela da população que devemos atender como prioridade, porém isso é algo que ainda  não conseguimos mostrar aos gestores como algo possível. 

A importância de uma ação concreta, mais do que atingir um produto final, está no processo de diminuição da desigualdade, na capilaridade na geração de emprego e renda e no crescimento da cidadania das populações periféricas de nossas cidades. A proteção ao meio ambiente também é consequência de uma inclusão social que possibilite os vulneráveis a se aproximarem dos vazios urbanos e, principalmente, dar autonomia a essa população para que não perca seus laços afetivos, de parentesco e vizinhança tão necessários ao desenvolvimento de sua autoestima.

É verdade que a maioria do cidadão comum, nosso querido leitor, pode estar se perguntando: “mas como isso é possível?”

É provável que o Ministério das Cidades mostrará nesta gestão como isso é bem plausível, utilizando a implantação da Assistência Técnica para a Habitação de Interesse Social (ATHIS), Lei Federal 11.888/2008, que tem instrumentos para viabilizar todas essas ações. Em algumas áreas de nosso país, isso já tem acontecido. A ATHIS é a ferramenta que viabiliza e acelera a regularização fundiária, produz as necessárias melhorias habitacionais e viabiliza criação de cidades acessíveis. Nosso déficit habitacional é muito mais qualitativo que quantitativo, como comprovam os dados da Fundação João Pinheiro e de todas as instituições sérias que trabalham no assunto.

Os mesmos valores da construção de uma unidade habitacional nova que atende a uma família viabilizam a melhoria de dez unidades existentes, atendendo a dez novas famílias sem produzir “guetos” e sem onerar a infraestrutura, bem como os custos de sua manutenção.
Comprovadamente, a presença de um arquiteto nas equipes volantes do Saúde da Família do SUS produz uma enorme economia aos cofres públicos. Curamos as doenças das casas que causam as doenças nas pessoas que, além de deixarem de sofrer com as enfermidades, desoneram o SUS. A pandemia escancarou essa realidade e é inteligente tomarmos providências simples a esse respeito.

Tal qual em diversos países desenvolvidos como França, Finlândia entre outros, o novo Ministério das Cidades também deverá implantar o Aluguel Legal, tão necessário para combater outra faceta de nosso déficit habitacional de maneira a criar uma “ponte” de acesso à moradia digna, sem precisar construir  sequer uma unidade habitacional. É de conhecimento dos especialistas, especialmente no interior dos movimentos sociais, que temos “mais casas precisando de gente do que gente precisando de casas”.

Não é o caso de entrarmos aqui na discussão sobre os detalhes de tantos equívocos técnicos absurdos de nossas legislações, muitos deles produzidos por nós, homens brancos, letrados e desconhecedores da vivência do dia a dia das populações mais pobres, especialmente nas periferias das grandes cidades, onde, sectariamente, denominamos a “cidade formal” e a “cidade informal”, determinando quais lotes devem ter no mínimo 125 m2, ou onde edifícios de apartamentos devem ter uma vaga de garagem por unidade, mas é importante dizer que sem cidadania é difícil exigir respeito a quaisquer códigos de obras. Se pela ausência do Estado, há anos vemos que nem o código penal é respeitado, quanto mais um código de obras.

É urgente que “afinemos  internamente nossa viola”, fazendo uma avaliação criteriosa de nossa comunicação, de nossas certezas e, principalmente, dos motivos que nos impedem de informar adequadamente à população brasileira sobre a importância basilar do Ministério das Cidades, um dos mais relevantes ministérios desse país e, devido à gravidade da atual conjuntura, um dos que mais deveria ser respeitado. Digo isso enquanto arquiteto urbanista que, ao lado de diversas profissões, movimentos sociais e, principalmente, junto aos usuários, estudamos, vivemos e procuramos contribuir na produção de nossas cidades.

Este artigo foi publicado originalmente no portal https://www.cartacapital.com.br/blogs/br-cidades/por-que-o-ministerio-das-cidades-e-importante/
​
sobre o autor
Gílson Paranhos
Arquiteto e urbanista formado pela Universidade de Brasília, presidiu o IAB DF no biênio 2000/2001 e o IAB Nacional de 2010 a 2012, é colaborador da Rede BrCidades e militante do IAB.
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