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No Setor Comercial Sul, um espaço compartilhado vem abrigando atividades profissionais de arquitetas e urbanistas e iniciativas de economia. Depois de anos ociosa, a sala 505 do bloco A do Edifício Mineiro tornou-se um ambiente moderno e acolhedor, que integra as áreas de recepção, reunião e trabalho, facilitando a comunicação e a troca de experiências entre a equipe. A mudança foi possível depois de um convênio estabelecido entre o IAB/DF, proprietário da sala, com as arquitetas Gabriela Cascelli, do Ateliê Cerratense; e Carolina Moreth, do Da Norte Atelier, vencedoras do edital de chamamento público proposto pelo Instituto. ECONOMIA E DEMOCRATIZAÇÃO DO ESPAÇO A reativação dos espaços do IAB/DF no Setor Comercial Sul era um objetivo da atual gestão. As salas 505 do Edifício Mineiro e 202 do Edifício Oscar Niemeyer foram adquiridas pelo IAB no final dos anos 1970. Mas o processo de esvaziamento e ocupação fragmentada que se abateu sobre o SCS resultou na ociosidade de diversos imóveis na região. Desocupadas, as salas geravam gastos em pleno processo de degradação. “Assim que começou nossa gestão, minha primeira ação foi visitar todas as salas do IAB no Setor Comercial Sul e foi triste ver espaços tão potentes, vazios”, conta o presidente Luiz Eduardo Sarmento. A solução proposta pela gestão 2023/2025 foi a publicação de editais de chamamento público para ocupação das salas. Além de suspender os dispêndios financeiros mensais do instituto, a alternativa garantiu a retomada da função social das salas e gerou oportunidades para os arquitetos e urbanistas. Era a chance que Gabriela Cascelli precisava. Arquiteta há dez anos, ela atua como paisagista desde 2018 e, assim como a maioria das profissionais em início de carreira, sentia falta de um espaço físico para desenvolver as atividades. "Na condição de profissional autônoma, a gente não consegue ter um escritório próprio porque não conta com um volume de trabalho que faça as finanças se equilibrarem nesse sentido", conta. Juntas, ela e a amiga Carolina Moreth, também arquiteta, decidiram participar do edital de uso das salas proposto pelo IAB/DF e foram selecionadas. Desde janeiro de 2024, quando o convênio foi estabelecido, elas passaram a compartilhar o espaço. “O imóvel estava super abandonado, ocioso, gerando gastos para o IAB. A gente conseguiu assumir a sala e colocar o espaço em uso com um bom equilíbrio de investimento e retorno”, conta. AMBIENTE RENOVADO O próximo desafio foi a transformação do espaço. Juntando as economias, as arquitetas reformaram o piso e as paredes, trocaram o ar condicionado e criaram mobiliário para tornar o ambiente coletivo e funcional. O esforço valeu a pena, garante. “Foi muito importante essa oportunidade do IAB/DF por que a gente não teria condição de ter um escritório por conta própria. O espaço físico permite que a gente se profissionalize, tenha um lugar para receber os clientes”, diz Gabriela. ESPAÇO COLETIVO Além do impulso profissional, Gabriela celebra a oportunidade de incentivar a comunidade criativa feminina. Isso porque outras profissionais foram convidadas a dividir o escritório. "A gente queria muito um espaço que pudesse proporcionar convivência com outras profissionais pra não ficar fechada no nosso mundinho”, conta. Atualmente, o espaço é usado por mulheres, incluindo mulheres negras. “Conviver com outras profissionais enriquece muito o nosso dia-a-dia. E é muito legal poder oferecer espaço para quem geralmente não tem, pois aqui em Brasília a maioria dos escritórios é ocupada por homens", conta. Para o presidente do IAB/DF, a reorganização imobiliária proposta pelo instituto tem sido muito bem sucedida. “É uma alegria ver as salas ocupadas por movimentos sociais, jovens arquitetas/os e perceber que estamos contribuindo com a reocupação do Setor Comercial Sul”, afirma Luiz Eduardo Sarmento. DE CARA NOVA
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Dezembro 2025
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