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| Amílcar Coelho Chaves |
23 de maio de 1944 - 9 de janeiro de 2025 O Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento do Distrito Federal (IAB/DF) e a Direção Nacional do IAB lamentavelmente cumprem o doloroso dever de comunicar o falecimento do abnegado ativista Amilcar Coelho Chaves. Pioneiro de Brasília que, ainda adolescente, aqui chegou com a família antes da inauguração da cidade. Ingressou na UnB em 1963, nas primeiras turmas, e se graduou em arquitetura e urbanismo em 1967. Foi presidente do IAB/DF no início da década de 70 e logo em seguida Secretário Geral da Direção Nacional do IAB e, por diversas gestões, foi conselheiro nacional da entidade, integrando o Conselho Superior (COSU-IAB). Especialmente na década de 70, Amílcar desempenhou importante papel no debate público em defesa do projeto urbanístico original para Brasília e de um desenvolvimento urbano com qualidade para o DF. Foi um dos organizadores do I Seminário de Estudos dos Problemas Urbanos de Brasília, realizado no Senado Nacional em 1974, evento que contou com a presença de Lucio Costa e outros arquitetos e urbanistas proeminentes. Em seu discurso no evento, Amílcar destacou a urgência de um “planejamento urbano unificado e abrangente de Brasília e sua região”, tema que segue absolutamente atual. O arquiteto foi um incansável lutador pela volta da democracia no Brasil. Deixa um legado de relevantes e inestimáveis serviços prestados para as organizações de arquitetos e urbanistas do país e importantes contribuições para a compreensão e debates dos problemas urbanos e ambientais desta cidade que adotou e ajudou a construir. Em agosto de 2024, por sugestão do IAB/DF, Amílcar foi um dos homenageados no Senado Federal na Sessão Solene em comemoração aos 50 anos do seminário de 1974. Para o presidente do IAB/DF, arquiteto Luiz Eduardo Sarmento, “a perda de Amílcar representa uma enorme vazio, não apenas por um dedicado colega às causas da profissão, mas de um pioneiro de Brasília que lutou incansavelmente contra as iniciativas governamentais, principalmente no período da Ditadura Militar, quando a UnB e o projeto de Lucio Costa para o Plano Piloto de Brasília estavam sendo ameaçados de serem completamente descaracterizados. Nos últimos meses Amílcar estava empenhado em ajudar o IAB/DF no registro da história da arquitetura e urbanismo em Brasília, com destaque para os momentos mais duros da ditadura militar mas também resgatando as propostas formuladas pelo instituto para a melhoria dos espaços urbanos de Brasília e pela qualidade de vida da população do DF.” Sentiremos sempre sua falta. Resquiecat In Pace, valoroso companheiro.
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Está em curso, nos arquivos do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Distrito Federal (IAB/DF), o Projeto Revela, que visa promover a organização, a catalogação e o tratamento técnico do acervo documental do IAB/DF. Essas ações têm permitido a descoberta de documentos relevantes para a história do IAB ou da arquitetura e do urbanismo. Encontramos, por exemplo, diversas pranchas do projeto definitivo (à época) do IAB, a Casa dos Arquitetos de Brasília, de autoria de Oscar Niemeyer, aprovado pelo GDF (Governo do Distrito Federal) para iniciar obras.
O projeto de Niemeyer previa um térreo com lojinhas em ilhas dispostas em um pilotis de livre circulação. No subsolo haveria 11 salas comerciais para aluguel ou venda pelo IAB e grande salão de exposições. No primeiro piso existiriam mais 13 salas comerciais. No segundo pavimento, em salas integradas com jardins, Niemeyer pensou as sedes do IAB Nacional e do IAB/DF, com secretaria compartilhada, além de uma biblioteca, um espaço de estar e um restaurante. A Casa dos Arquitetos seria construída em terreno de propriedade do IAB na W3 norte, quadra 509. Esse projeto, infelizmente, nunca foi realizado. Em abril de 1977 o terreno foi vendido. Essa venda permitiu a compra de um lote na quadra 603, na L2 sul, em Brasília, onde deveria ser construída nova sede definitiva do IAB. Por sua vez, essa nova sede tampouco foi construída. Atualmente o IAB/DF está localizado em salas comerciais do Setor Comercial Sul – por ironia, no edifício Oscar Niemeyer. O Projeto Revela conta com o patrocínio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal (CAU/DF), por meio do Edital CAU/DF 2/2024. O Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Distrito Federal (IAB/DF) acumulou documentação significativa desde os anos 60. No entanto, devido à limitação de recursos, seu acervo documental nem sempre contou com boas condições de guarda. Em meados da década de 2010, os documentos encontravam-se mal-acondicionados e dispersos em três imóveis: na sede social da entidade, localizada na SGAS 603; no escritório do Instituto (sala 206) e no depósito (sala 202), ambos localizados no edifício Oscar Niemeyer, no Setor Comercial Sul.
A dispersão do acervo do IAB/DF, misturado a outros objetos sem relação com os de interesse cultural, era um problema a ser resolvido para salvaguarda da documentação relevante. O acervo que se encontrava na sede, em particular, estava sob grande risco, devido à presença de umidade excessiva, bem como à infestação de roedores e xilófagos. A reunião do acervo do IAB/DF em espaço único ocorreu em junho de 2017, quando o conjunto de arquivos e parte da biblioteca encontrada na sede (SGAS 603) foram transferidos para o escritório do edifício Oscar Niemeyer. Pela primeira vez em décadas, o acervo documental do IAB/DF estava reunido em um mesmo endereço, sob melhores condições de guarda e conservação, o que permitiu conhecer sua real dimensão. Desde 2017, várias iniciativas foram colocadas em operação para valorizar o acervo. Atualmente, o IAB/DF está executando o Projeto Revela, que deverá organizar, tratar e catalogar os documentos do Instituto. Ao final do projeto, o acervo estará sistematizado, e será publicado um catálogo dos documentos disponíveis. O Projeto Revela tem permitido a descoberta de documentos relevantes para a história do IAB ou da arquitetura e do urbanismo. Um desses documentos é a cópia da Ata de fundação do então Departamento de Brasília do Instituto de Arquitetos do Brasil, de 28.11.1960. Na ocasião, foi aprovado o primeiro estatuto do IAB/DF. Uma das finalidades do instituto, de acordo com aquele estatuto, era “proporcionar aos arquitetos residentes na Capital Federal meios de coordenar seus esforços na defesa da profissão e no desenvolvimento da arquitetura e do urbanismo”, o que continua sendo a bandeira principal do IAB. O Instituto era presidido pelo arquiteto Wilson Reis Netto e, na assembleia que aprovou o primeiro estatuto, estavam presentes nomes importantes da arquitetura e do urbanismo de Brasília, como Hermano Montenegro (autor do projeto do TJDFT), Gladson da Rocha (fundador do curso de arquitetura e urbanismo da Uniceplac), Lucio Marinho Estelita (autor do projeto do HFA), Glauco Campello (ex-presidente do Iphan), Germano Galler (autor do projeto da Escola Normal de Brasília), Sabino Barroso (integrante da equipe de Niemeyer e ex-diretor do Iphan), Donar Techmeier (autor do projeto dos abrigos de ônibus em forma de onda). O Projeto Revela conta com o patrocínio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal (CAU/DF), por meio do Edital CAU/DF 2/2024. O Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento Distrito Federal (IAB-DF) vem a público manifestar sua profunda preocupação com a descaracterização do edifício da antiga Sede I do Banco do Brasil. Este edifício, de extrema relevância para o conjunto urbanístico de Brasília e para a história da arquitetura moderna, está classificado como uma edificação de interesse de preservação pela legislação que estabelece o PPCUB. Além disso, há dois processos de tombamento relacionados a esta construção. O primeiro processo foi protocolado em 2015, no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR). O segundo processo foi solicitado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento do Distrito Federal (IABDF) em conjunto com o CAU/BR, junto à Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, para o tombamento distrital da edificação. A antiga Sede 1 do Banco do Brasil é uma construção importante e única, representativa do movimento moderno em Brasília. Projetada pelo arquiteto Ary Garcia Roza, o edifício foi inaugurado juntamente com a nova capital. Garcia Roza foi presidente do IAB na época da promoção do Concurso Público Nacional de Projeto para a escolha do Projeto da Nova Capital, e havia anteriormente vencido o concurso para a nova sede do Banco do Brasil no Rio de Janeiro. Nos primeiros anos da capital, o presidente Juscelino Kubitschek convidou Oscar Niemeyer para projetar a nova sede do Banco do Brasil, mas Niemeyer recusou o convite, recomendando que Ary Garcia Roza fosse o escolhido, dado seu mérito por ter vendido o concurso para construção da nova sede do banco na antiga capital. A implantação da antiga Sede I no Setor Bancário Sul é diferenciada, sendo o prédio mais alto dessa área. Sua localização em frente a uma grande praça realça a importância da edificação, em conformidade com a proposta de Lucio Costa para Brasília. Apenas dois prédios tiveram esse tratamento na área central: o do Banco do Brasil, na Asa Sul, e a sede dos Correios, na Asa Norte. Apesar do tombamento federal e distrital do Conjunto Urbanístico de Brasília, o edifício da antiga Sede I do Banco do Brasil, com processos de tombamento em curso e classificado como de interesse de preservação no PPCUB, corre o risco de sofrer mais intervenções que comprometam sua integridade. Diante disso, o IAB-DF solicita ao Governo do Distrito Federal (GDF), que, em articulação com o Iphan, que corretamente e prontamente embargou as obras, adote medidas para impedir novos danos ao patrimônio cultural de Brasília. Nos últimos anos, o IAB-DF tem acionado os órgãos competentes em resposta a denúncias de arquitetos e cidadãos sobre supostas demolições internas no edifício. Também tem questionado o andamento dos processos de acautelamento da edificação. A edificação possui acabamentos e soluções sofisticadas e muito inovadoras para a época em que foi construído, com presença de obras de arte integrada, relação generosa e com o espaço urbano e possui painéis de Athos Bulcão e jardins projetados por Burle Marx, tombados pelo GDF, além de mural em bronze de Bruno Giorgi e murais em cerâmica de Burle. O IAB-DF, por meio de seus representantes no Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural do Distrito Federal (CONDEPAC) cobrou ações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), que resultou em ofício do Secretário solicitando o embargo das obras e estabelecendo diretrizes de preservação. Ainda, em conjunto com as entidades reunidas no Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro, acionou o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios para acompanhar o caso.
Reiteramos que a preservação do conjunto urbanístico de Brasília depende da integridade de suas principais edificações, uma vez que não existe preservação urbanística sem que haja preservação arquitetônica. Por isso, continuaremos nossos esforços para auxiliar e cobrar das autoridades competentes a identificação e a preservação dos edifícios mais representativos da arquitetura moderna brasileira no Distrito Federal, sede da capital do país, reconhecida mundialmente por sua arquitetura. Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento Distrito Federal (IAB-DF) Nosso corpo – individual, coletivo, social – exige extensão nos espaços públicos. Nós somos uma sociedade livre e identificada por sua cultura. Com licença, Governador e agentes repressivos, nós vamos passar.
Conscientizem-se que os gestores públicos são obrigados a cumprir procedimentos republicanos para quaisquer alterações do uso público dos espaços públicos. A fiscalização não pode ter “dois pesos e duas medidas”, menos ainda utilizar interpretações infralegais porque a norma decretada é genérica e empodera a ação dos agentes fiscais. Ou “ajusta” objeto e objetivos das leis maiores aos interesses particulares ou de grupos específicos ou ainda e pior, por razões políticas genericamente identificáveis, não republicanos. Esse Decreto (46.226-03/09/2024) que regulamenta a Lei 4.757-14/02/2012, dispõe sobre a instituição do Eixão do Lazer), nada especifica e remete a um “Plano de Ocupação”, norma infralegal ainda inexistente. Enquanto a norma não vem a população fica sujeita ao cerceamento de seu direito de ir e vir, ao uso individual e coletivo nos espaços públicos. O que é isso? Um “arrastão” oficial? Entendemos que foi um erro político escorado em reclamações não explicitadas e análises técnicas falhas, que ensejarão inclusive inúmeras questões judiciais. A regra é o uso livre, cabendo autuação apenas se demonstrado algum descumprimento da Lei. Por exemplo, a reclamação de ruído excessivo não parece ter sido verificada de forma técnica e nem comparada aos demais horários de uso do Eixo Rodoviário. E é improvável que as medições sonoras desde as unidades habitacionais, demonstram valores acima das normas. Mesmo que seja possível mensurar isoladamente as emissões sonoras dos grupos musicais, não teriam como se superpor às emissões de tráfego veicular e outros ruídos produzidos no dia-a-dia dos logradouros públicos. Vale lembrar que o fechamento aos veículos nos eixos rodoviários sul e norte remonta a junho de 1991, com o apoio do governo – secretarias, PM e DETRAN. Desde então tem sido uma medida de total sucesso e adesão da população brasiliense - sendo um exemplo que passou a ser seguido por outras cidades brasileiras. O uso das faixas veiculares e gramados, em maior ou menor intensidade sempre foi apoiado e destacado como característica sociocultural da Capital. O Eixão do lazer se consolidou como locus de encontro da população da metrópole brasiliense em sua diversidade. Devemos lembrar também que outros espaços públicos têm uso frequente para eventos (Festas, feiras, paradas etc.), como o Eixo Monumental e as entrequadras. Com ou sem autorizações e apoios do GDF. Quanto às interferências nos espaços públicos é importante o Detran e a PM realizarem seus trabalhos como ações de suporte e orientação do uso coletivo - esportivo e cultural da cidade, de forma educativa, propositiva e menos repressiva. As ações culturais, que em sua maioria envolvem artes ou processos artísticos, são realizadas por produtores/fazedores de cultura, e necessitam basicamente, além de suporte financeiro, de máxima liberdade de criação. O mercado popular que se organiza para atender a população em suas atividades de lazer no Eixão geram renda e garantem a sobrevivência de milhares de pessoas. Quase sempre as ações de repressão visam o tolhimento dessa liberdade criadora, a mando ou demanda de segmentos conservadores da sociedade, chegando com alguma facilidade à truculência, com ou sem poder de polícia. Ao invés de desrespeitar as liberdades democráticas e reprimir a arte livre, os gestores deveriam incentivar esse patrimônio cultural brasiliense, com iniciativas para melhorar as infraestruturas (travessias, calçadas e transporte público, por exemplo). Sr. Governador, restabeleça os zebrinhas aos domingos, nos circuitos necessários, tais como nos eixos, na avenida comercial de Taguatinga, no Parque da Lagoa em Brazlândia, entre tantos outros. O projeto Eixão do Lazer precisa ter seu acesso ampliado, assim como deve ser implantado nas demais RAs, e não reprimido por ser bem sucedido. Feiras e festas no DF e no mundo, são tradições dos dias livres – domingos e feriados – justamente para ensejar à população momentos de interação e união. Nessa linha e opostamente ao que o GDF fez e ameaça seguir fazendo, devemos resgatar mais usos tradicionais, renovados e recriados. INSTITUTO DE ARQUITETOS DO BRASIL DEPARTAMENTO DO DISTRITO FEDERAL IAB-DF e Icomos-DF promovem o curso Fundamentos de conservação e manutenção de edificações do Plano Piloto de Brasília, em edição especial voltada para síndicos de edifícios no Plano Piloto, sem necessidade de formação específica em arquitetura ou engenharia.
O curso terá 4 aulas e uma visita técnica, de 16 de setembro a 7 de outubro de 2024, e abordará conceitos, critérios e procedimentos voltados para capacitar os síndicos de edifícios no Plano Piloto para melhor cuidar da manutenção e da conservação dos imóveis pelos quais são responsáveis. Pretende-se contribuir, assim, para a preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília. As atividades serão presenciais, com aulas noturnas no auditório do CAU-DF. Professoras e professores são arquitetos-urbanistas e engenheiros civis, com formação acadêmica e experiência na área, que lhes permitirá dar uma abordagem prática ao tema, voltada para os casos que se enfrentam no dia-a-dia da cidade. CAU-DF e Sindicondomínio-DF apoiam a iniciativa. Programa do Curso: 16/set (segunda-feira) - O valor da arquitetura de Brasília (Sensibilização para a arquitetura do Conjunto Urbanístico de Brasília) - Conservação preventiva e suas vantagens 21/set (sábado) - Visita: Boas práticas de manutenção em blocos de superquadras 23/set (segunda-feira) - Recuperação de sistemas construtivos típicos de Brasília 01/out (terça-feira) - Plano de manutenção estruturado e suas vantagens - Como lidar com os tombamentos de Brasília 07/out (segunda-feira) - Contratação de projetos e planos de Arquitetura e Engenharia - Questões recorrentes de projeto em blocos de superquadras Associados ao ICOMOS, IAB ou Sindicondomínio possuem desconto no valor do curso. Inscrições por meio do link: https://www.even3.com.br/curso-conservacao/ Após 50 anos do primeiro debate sobre os estudos dos problemas urbanos de Brasília (DF), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) sediará, entre os dias 6 e 8 de agosto, o II Seminário sobre os Estudos dos Problemas Urbanos de Brasília. O evento será realizado no auditório do Iphan Sede, na capital federal, e os interessados em participar das discussões devem realizar inscrição por meio de formulário eletrônico. As vagas são limitadas. Confira a programação do evento a seguir: O II Seminário sobre os Estudos dos Problemas Urbanos de Brasília contará com a presença de especialistas no assunto que vão discutir desde o direito à cidade para todas as pessoas, os desafios do planejamento e gestão urbana e territorial do Distrito Federal até como a capital deve enfrentar as mudanças climáticas. O evento é fruto de parceria entre Iphan, Andar a Pé, Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-DF), Universidade de Brasília (UnB), Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-DF), Ministério Público (MPDFT), Rede Urbanidade e Fórum de Defesa das Águas do Distrito Federal.
No primeiro seminário, realizado em 1974 no Senado Federal, os problemas da cidade foram debatidos com a ilustre presença do autor do Plano Piloto de Brasília, o urbanista Lucio Costa. Na ocasião, Lucio retornava à cidade depois da sua inauguração e discursou sobre “Considerações em torno do Plano Piloto de Brasília”, título de sua palestra, que contribuiu para criar condições para que essa área alcançasse sua plenitude e desenvolvimento. As contribuições dos arquitetos e urbanistas, engenheiros e parlamentares da época foram registradas em uma publicação que reúne estudos e debates sobre a urbanidade de Brasília. O Censo de 2022 teve seus primeiros dados divulgados no dia 28 de junho, e trouxe algumas informações sobre o panorama nacional de crescimento e também de questões habitacionais. O Distrito Federal, segundo os dados recém-publicados, tem atualmente um total de 1.172.588 domicílios, dos quais 148.846 mil encontram-se desocupados. Contrastando-se esses números aos do Censo de 2010, nota-se um aumento muito expressivo no número de domicílios não ocupados1. Em 2010, havia 80.584 imóveis na mesma situação. O último levantamento, realizado em 2022, especificou ainda a categoria de imóveis não-ocupados de uso ocasional2, que totaliza 33.779 unidades no DF. Adicionando-se esse número ao número de domicílios não ocupados, a diferença do índice em relação ao último levantamento representa que o número de imóveis vazios mais que dobrou, totalizando 182.625 mil. Ao mesmo tempo que a vacância imobiliária torna-se mais expressiva, o déficit habitacional também aumenta no DF. O conceito de déficit habitacional sustenta os indicadores que buscam estimar a falta de habitações e/ou existência de habitações em condições inadequadas como noção mais ampla de necessidades habitacionais (FJP, 2021). O levantamento mais recente do DF, cruzado com informações da Pesquisa Distrital por Amostra de Dados (PDAD), indicou um total de 102.984 domicílios. O componente de maior expressão é Ônus excessivo com aluguel – 52,10% do total; seguido da Precariedade dos domicílios – 26,84%; depois do Adensamento excessivo – 10,89%; e, por último, da Coabitação familiar – 10,16%, de acordo com dados da Seduh de 2021. Esse número de domicílios não ocupados também é superior à estimativa do Panorama Habitacional Prospectivo para o DF, realizado em 2018, pela Companhia de Planejamento do DF (CODEPLAN) que prospectou que o déficit habitacional do DF estaria entre 133 mil e 150 mil domicílios em 2025. Isso demonstra, que há imóveis suficientes na Capital Federal para suprir a demanda total por moradias – tanto quantitativa, quanto qualitativa. Os componentes qualitativos do déficit não necessariamente têm como ‘resposta’ mais adequada a criação de uma nova unidade habitacional. Muitas vezes, algumas melhorias nas construções e na infraestrutura de serviços podem configurar a adequação de uma moradia. Ainda assim, o número de domicílios vazios seria capaz de absorver todos os tipos de demanda habitacional registradas atualmente no DF. Ausência de política pública A diferença entre oferta e demanda de domicílio é representativa da desigualdade social que se intensificou na cidade no período em questão. A investigação dos padrões da produção imobiliária local entre os Censos, se feita, indicaria o descompasso entre a falta de produção de unidades habitacionais direcionados a fatia da população que não tem seu direito constitucional à moradia garantido, e ao grande número de unidades habitacionais que são direcionadas a um público consumidor que não usa seus imóveis para morar. O próprio Censo levantou o aumento de 36,88% no número de unidades habitacionais, esse número representa 317.092 novas habitações, muitas delas em regiões como Águas Claras, Noroeste e Jardim Botânico. Essas regiões não possuem o déficit habitacional tão expressivo como a Unidade de Planejamento Territorial Oeste, composta por Ceilândia, Taguatinga, Samambaia e Brazlândia, que representa 34,35% do déficit do Distrito Federal. Apesar do grande número de imóveis desocupados, nunca houve no DF, uma política pública voltada ao seu aproveitamento para Habitação de Interesse Social, apesar do debate ocorrer entre técnicos da área, acadêmicos e movimentos sociais. Não há a visibilidade desejada para essa questão, mesmo que estudos e experiências em outras grandes cidades já tenham demonstrado que a readequação de imóveis seguida da realocação populacional pode representar economia aos cofres públicos. Essa estratégia ainda ataca a falta de função social dos imóveis vazios em áreas munidas de serviços e infraestrutura urbana, bem como e permite dinamizar áreas urbanas subutilizadas. Contradições No levantamento realizado pelo Observatório Territorial do Distrito Federal, baseado em dados da CAESB, somente em 2016, 41 mil unidades habitacionais estavam com a rede de água inativa. Segundo esses dados, podemos ver uma grande contradição: o Plano, que é o destino de grande parte da força de trabalho do DF tem o maior número de imóveis desocupados, e a Ceilândia, cidade com maior déficit absoluto do DF, está logo em terceiro lugar no levantamento. Levantamento realizado pelo Observatório Territorial do Distrito Federal / Reprodução Seduh O próprio Plano Distrital de Habitação de Interesse Social cita a questão dos móveis ociosos, que podem ser objeto de aplicação dos instrumentos urbanísticos visando sua ocupação pela população de baixa renda. Um desses instrumentos é o PEUC (Parcelamento, Edificação ou Utilização Compulsórios), aplicado quando o imóvel não cumpre sua função social, é um instrumento do Estatuto da Cidade, ainda não regulamentado no Distrito Federal. Vale lembrar também que a demanda por recursos e infraestrutura como água, iluminação, esgoto e pavimentação, é muito custosa, e o Distrito Federal já enfrenta alguns problemas por conta do crescimento desordenado, relacionado diretamente aos custos e dificuldade de acesso à habitação digna. :: Leia outros textos desta coluna aqui :: * Cecília Almeida – Diretora Cultural e de Divulgação do Instituto de Arquitetos do Brasil do Distrito Federal ** Clarissa Sapori – Mestra em Planejamento Urbano. Coordenadora da Comissão de Política Urbana do Instituto de Arquitetos do Brasil do Distrito Federal. Brasília, 27 de abril de 2023 CONSELHEIROS: Henrique Adriano - IAB/DF / Pedro de Almeida Grilo – CAU/DF. PROCESSO Nº: 00390-00004353/2018-51 TIPO: Gestão Administrativa: Proposição de Projeto de Lei INTERESSADO: SEDUH/GDF ASSUNTO: Parecer referente a pedido de vistas do PLC de Parcelamento do Solo Acesse o parecer no link a seguir.
No ultimo dia 22 ocorreu, no espaço do Programa Jovem de Expressão em Ceilândia, a 1ª Reunião da Comissão de Política Urbana do IAB.DF.
Após o rico debate sobre o lugar das periferias nas políticas urbanas governamentais decidiu-se por fazer uma visita ao Sol Nascente para que as pessoas presentes pudessem conhecer as obras de edificações habitacionais construídas ou em obras. Na quadra 501 no Trecho 1 do Sol Nascente os dirigentes e associados do IAB conheceram os blocos habitacionais cujo projeto é de autoria das arquitetas Jéssica Baringer, Amanda C. Fabeni, Leandro Sasse, Bruno Moreira Custódio, cujo escritório está sediado em Blumenau / SC. O resultado do Concurso organizado pela CODHAB/DF com apoio do IAB.DF foi divulgado em outubro de 2016. A comissão julgadora entendeu que a "proposta é adequada ao programa por sua viabilidade econômica, mostrando aderência aos valões praticados pelos agentes financeiros desta modalidade e edificação." E destacou que a proposta ora edificada "sugere baixa demanda de manutenção pelo sistema construtivo, materiais empregados e conformação dos espaços e uso coletivo. Trata de forma adequada o térreo, criando um espaço de convívio para os moradores (...)." Os apartamentos já estão ocupados pelas famílias beneficiadas, o que gerou interesse dos dirigentes acerca de estudos de pós-ocupação e verificação da opinião dos moradores acerca da arquitetura de seus blocos e apartamentos, já que são bastante diferentes das unidades construídas no DF. Conheça mais sobre o projeto aqui: https://concursosdeprojeto.org/2016/10/31/premiados-habitacao-coletiva-sol-nascente-codhab-df/ Em seguida o grupo se dirigiu ao Trecho 2 do Sol Nascente para ver as obras dos blocos de uso misto (unidades habitacionais em 3 pavimentos sobre térreo comercial). O projeto foi escolhido também por meio de concurso. https://concursosdeprojeto.org/2017/03/01/premiados-edificios-de-uso-misto-no-sol-nascente-trecho-2-codhab-df/ Para além da qualidade estética do projeto, chama atenção a presença de áreas comerciais no térreo com galerias cobertas, garantindo uma cidade mais viva e segura. O grupo também esteve na Rua das Palmeiras, um largo localizado no coração do Trecho 1 cujo projeto urbanistico foi feito por meio do programa de Athis da Codhab. O paisagismo, executado por meio de mutirões com a comunidade local, encontra-se consolidado, garantindo um importante espaço público verde na maior favela da américa latina. A ideia é sempre promover vivências urbanas após os encontros presenciais da CPU do IAB.DF. Pronunciamento do presidente Luiz Eduardo Sarmento por ocasião do início das atividades do CEAU.CAU.DF em 2023 Boa tarde a todas e todos. Boa tarde colegas representantes das entidades que conformam o CEAU.DF. Boa tarde presidente do CAU.DF, conselheiros e servidores.
Poucos conselhos profissionais - autarquias públicas à serviço da sociedade - podem se beneficiar da existência de entidades profissionais tão ativas. Este é um dado importante e potencializador para o que o CAU pode ser. Neste CEAU.DF (Colegiado de Entidades Distritais de Arquitetura e Urbanismo do Distrito Federal - CAU.DF) temos o centenário IAB, a FNA, a Abap, a Asbea, a Abea, a Fenea, entidades que ao longo de sua existência trataram da necessidade de se criar um conselho de arquitetura e urbanismo e, em maior ou menor grau, lutaram para que o CAU fosse hoje uma realidade. Falando pelo IAB, posso garantir que esta luta pelo Conselho próprio percorre toda nossa história. Fomos fundados em 1921 por 27 profissionais que visavam organizar a profissão de arquiteto no Brasil, com metas práticas como definir a tabela de honorários, dentre outras atividades que, com o tempo, foi ficando evidente que deveriam ser tratadas também por meio de um braço do estado brasileiro. A existência das entidades pode permitir muitos avanços na profissão e mesmo na gestão do CAU - complementando e realizando ações que o Conselho não teria condições, seja por falta de pessoal ou necessidade de focar em temas que as entidades não podem se debruçar, como a fiscalização e poder de polícia que o CAU tem; ou em iniciativas em que é legalmente impedido. As entidades podem ampliar ainda mais as possibilidades de gestão participativa de nosso Conselho - seja na implementação de orçamento participativo; contribuindo com a curadoria e organização de eventos ou mesmo na promoção de debates políticos e técnico-políticos. As entidades gozam de autonomia e liberdade de ação que, em conjunto com a infraestrutura e capital humano do CAU, significa potência. Sempre que o Estado (ou mesmo um braço dele) atua em conjunto com a sociedade civil organizada, os resultados tendem a ser adequados, positivos. As entidades também têm a possibilidade de tratar, com enorme profundidade, de temas específicos. Alguns assuntos, por exemplo, são tratados pelo IAB há mais de um século, outros tantos assuntos, há muitas décadas. Há muito acúmulo de conhecimento nas entidades. Nesse sentido, o CAU.DF, que possui diversas atribuições legais - e fiscalizar talvez seja a principal delas, já que é uma atribuição que nenhuma entidade pode fazer (reforço esse ponto!) - pode ser valer da capacidade de debate, acúmulo, formulação, articulação, execução e capilaridade das entidades. Um dos meios para esse trabalho conjunto - que amplia enormemente as ações de cada organismo, é por meio dos editais de fomento/patrocínio promovidos pelo CAU - e aqui entendemos que precisam ser ampliados ao limite do possível, como alguns CAUs UF tem feito. Tais iniciativas estão em consonância com o estabelecido com a Lei Federal nº 13.019, DE 31 DE JULHO DE 2014, que estabelece o regime jurídico das parcerias voluntárias. A lei busca garantir, dentre outras coisas, “o reconhecimento da participação social como direito do cidadão”, fortalecer as possibilidades de acompanhamento da sociedade por meio da “integração e a transversalidade dos procedimentos, mecanismos e instâncias de participação social” e, principalmente, a Lei 13.019 tem como objetivo “a promoção, o fortalecimento institucional, a capacitação e o incentivo à organização da sociedade civil para a cooperação com o poder público”. Muito pode ser feito, e sugerimos verificar a possibilidade de: - Editais específicos de Ocupação da Galeria do CAU.DF; - Editais de “ajudinha”, à exemplo do CAU.RS, que tanto tem democratizado o acesso aos recursos do CAU e potencializado ações importantes e que não encontram guarida em outros cantos; - Ampliação dos editais de patrocínio do CAU.DF ao limite do possível; - Editais específicos para publicação de livros; - Ampliar os editais para fomentar a Athis na prática. Pensamos ser fundamental que tais editais sejam lançados levando-se em conta prazos exequíveis, entendendo que a função da transferência de recursos é também uma forma de fortalecer a organização da sociedade civil - para tanto, entendendo as dificuldades e a natureza da sociedade civil organizada, que não são empresas ou repartições públicas - que necessita se organizar para tais empreendimentos, montando equipes por projetos, mobilizando trabalho voluntário, etc. É preciso tempo e previsibilidade para que as organizações da sociedade civil submetam projetos em editais. As sugestões acima, previstas em lei, permitem fortalecer os espaços de acolhimento, construção coletiva e escuta no CAU. Isso só pode fortalecer o Conselho e a sua missão primordial de defender a sociedade dos maus profissionais. Colocado estes pontos, faz-se necessário entender e publicizar sempre o papel das entidades e o papel do CAU. Divulgar os papeis, as atribuições, penso ser também uma tarefa fundamental para o CAU hoje. Maior conhecimento evitaria cobranças indevidas por parte dos arquitetos, ao mesmo tempo que fortaleceria as entidades fundadoras ao reconhecer e fazer saber das suas funções primordiais. Por fim, colocamos o Departamento do IAB no DF em permanente disposição para atuar com o CAU e aqui cito um exemplo de ação que gostaríamos de fazer conjuntamente: avançar na criação de uma estrutura de guarda de acervos de arquitetura em Brasília - tão importantes e tão ameaçados. Acreditamos que é fundamental um CEAU forte: que cobre, fiscalize, proponha e auxilie no aprimoramento do Conselho. Por vezes, para que haja aprimoramento é preciso haver críticas. Conhecendo as entidades e falando pelo IAB.DF, qualquer crítica é sempre acompanhada de proposições, de ideias, de projetos, de força e vontade de trabalho. E esta capacidade de trabalho das entidades é melhor ilustrada quando lembramos que, ao agir conjuntamente, voluntariamente, um dos resultados foi a criação deste CAU. O IAB.DF, compreendendo a relevância desse espaço consultivo do nosso conselho, tratará o CEAU, nessa gestão que se inicia, como prioridade. Brasília, 16 de fevereiro de 2023 O Conselheiro Superior do Instituto Arquitetos do Brasil (IAB-DF), José Leme Galvão, pontua que conservação do conjunto urbanístico-arquitetônico de Brasília também é uma intervenção - (crédito: Minervino Júnior/CB/D.A Press) Com o tema "Quem ama preserva", o Correio Braziliense promoveu a segunda edição do Entre os Eixos, que reuniu autoridades, especialistas e membros de organizações da sociedade civil para debater sobre os desafios da preservação do patrimônio cultural de Brasília, na tarde de ontem. Na abertura do evento, o arquiteto José Leme Galvão, o procurador-geral de Justiça do Distrito Federal Georges Carlos Fredderico Moreira Seigneur e o presidente da Câmara Legislativa (CLDF), deputado distrital Wellington Luiz (MDB), destacaram a importância de se debater temas relacionados à proteção ao acervo urbanístico e arquitetônico da capital do Brasil. José Leme Galvão, ex-superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e conselheiro do Instituto Arquitetos do Brasil (IAB-DF), lembrou que há sempre polêmica a respeito do que pode ou não ser conservado do acervo da cidade, mas que as dúvidas se concentram principalmente em como preservar aquilo que é tombado. "Não há nada na cidade que não tenha sido incluído dentro do tombamento", reforça o arquiteto. Questionado sobre os desafios de modernizar e, ao mesmo tempo, conservar, Leme é taxativo. "Brasília já é moderna. O que ela precisa é de intervenções de qualidade. Bom lembrar que conservar também é uma intervenção, desde a manutenção mais simples até as mais complexas". Segundo José, Lucio Costa, responsável pelo traçado urbanístico da capital, não tinha como prever as mudanças que a cidade viveria futuramente, mas que projetou uma cidade com espaços generosos, que possibilitam a interatividade urbana. "Essa interatividade pode ser entendida como a acessibilidade somada à mobilidade", explica. Procurador-geral da Justiça do DF, Georges Carlos Fredderico destacou que o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) criou, há mais de 20 anos, promotorias especializadas para tratar da ordem urbanística. "O MP caminha com esse desafio de acompanhar a modernização, que é latente e presente, mas preservando aquilo que fez de Brasília um lugar especial", pontua. Por esse motivo, Moreira ressalta a importância de criar debates como o feito pelo Correio. "Fundamental para avançar nas ideias e buscar soluções para que nós não nos afastemos da modernidade e continuemos a preservar a nossa Brasília", enfatiza. Para Georges Carlos, Brasília ser considerada um patrimônio cultural mostra o carinho e a atenção que a população que mora na cidade aqui deve ter com esse tema. "Brasília é conhecida mundialmente pela sua arquitetura e pelos traços urbanísticos. As tesourinhas dentro do nosso quadrilátero são pontos conhecidos em todo o Brasil, além de toda a forma que a cidade é colocada dentro das asas de um avião", comentou o procurador-geral. Ainda sobre os desafios de preservação, o Georges Carlos abordou a questão da mobilidade urbana na capital, pontuando que é necessário trazer mecanismos novos conciliados com a história de Brasília, além de destacar que é fundamental trazer um transporte coletivo de mais qualidade para a população que tanto necessita. "É uma forma inclusive de preservação da própria cidade, porque um melhor transporte coletivo leva a um número menor de veículos transitando e acaba tendo um estresse menor no tráfego de pessoas e na necessidade de construção de vias. Esse é um desafio que acho que o DF não tem como fugir mais", frisa. Wellington Luiz marcou presença no encontro e disse que a Casa está atenta às questões relacionadas à preservação do conjunto urbanístico de Brasília. "A Câmara está buscando meios de escuta da população, arquitetos e outros especialistas, como forma de subsidiar a produção de leis que possam atender aos interesses da cidade sem deixar de preservar o patrimônio", declarou o distrital. "Mas a nossa participação não deve ser só na produção de lei, mas também na destinação de emendas parlamentares que ajudem na conservação da cidade", conclui. Relevância O fato de ter nascido junto a Brasília e por ter acompanhado todas as intensas mudanças pelas quais a capital passou, e ainda passa, o Correio é o melhor espaço para promover os debates de relevância para o desenvolvimento da cidade. "A preocupação com a preservação da capital do país faz parte do DNA do Correio, que acompanha a vida da cidade desde o começo. O projeto Entre os Eixos é mais uma ferramenta para unir ideias, propostas e pessoas em torno da cidade, ressalta Guilherme Machado, vice-presidente executivo do Correio. Assim como Machado, o diretor financeiro do Correio, Leonardo Moisés, também celebra o projeto. "O título de Patrimônio Cultural da Humanidade que a nossa querida Brasília conquistou, em 1987, da Unesco é o maior reconhecimento da obra de Lucio Costa e Oscar Niemeyer. E nós, brasilienses, é que recebemos esse presente. É missão do Correio ser o protagonista dessas discussões", afirma. "Cultura é uma questão de educação, por isso a importância dessa discussão", conclui. Para a superintendente de marketing do Correio, Valda César, a preservação da capital é de fundamental importância para as futuras gerações. "Ninguém melhor que o Correio para abrir suas páginas e suas plataformas digitais para tratar desse tema tao relevante", reforça. Nosso patrimônio Brasília foi considerada patrimônio da humanidade pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em dezembro de 1987. Pouco tempo antes de completar 28 anos, a jovem capital do Brasil já figurava ao lado de cidades como Paris, Veneza, Cairo e Jerusalém, também declaradas patrimônio mundial. O caso de Brasília foi inédito, porque todas as outras já tinham centenas de anos de existência. Assista Entre os Eixos do DF: entrevista com José Leme Galvão (Conselheiro do IAB) - YouTube Este artigo foi publicado originalmente no portal https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2023/03/5076914-debate-promovido-pelo-correio-aponta-caminhos-para-preservar-brasilia.html
Brasília, 02 de outubro de 2020 Nós, entidades abaixo assinadas, que atuam no direito à cidade, pelo patrimônio histórico e cultural, e no combate a qualquer forma de violação de direitos humanos, manifestamos nosso repúdio às ações que vêm sendo tomadas pelo Governo do Distrito Federal junto à população, particularmente aquela em situação de rua e vendedores ambulantes. Nas últimas semanas, temos observado nas diferentes Regiões Administrativas (RAs) ações arbitrárias de retirada das pessoas que moram e trabalham informalmente na rua. Justo em um momento de pandemia, no qual a pobreza e o desemprego se ampliaram no Brasil e no Distrito Federal: a taxa de desocupação atinge 19,2% (DIEESE, agosto de 2020) no DF, acima dos já alarmantes 13,7% (IBGE, setembro de 2020) para o Brasil. As ações que estão sendo tomadas pelo GDF estão pautadas em discursos higienistas e segregadores, fazendo valer uma política de retrocesso preocupante. Em estudos urbanos, as políticas higienistas são entendidas como aquelas que historicamente retiravam os pobres dos locais privilegiados e consideravam isso “embelezamento das cidades”, com ações conservadoras e excludentes, tendo como desculpa a garantia da saúde pública. Em todo o DF tem-se visto moradores em situação de rua e vendedores ambulantes tendo seus pertences destruídos ou tomados à força, em ações do DF Legal e/ou da Polícia Militar. Essas pessoas - que incluem aqueles em situação de extrema pobreza, com transtorno mental, desempregados, pessoas com redução significativa de renda durante a pandemia, entre tantos outros -, deslocam-se de seus lugares de origem em busca de melhores condições de vida, a partir de localidades periféricas do DF ou de outras cidades. Ocupam espaços privilegiados nas RAs como áreas centrais do Plano Piloto de Brasília. Década após década, são tratados como se não fossem parte da cidade, devendo ser transferidos para áreas cada vez mais distantes. Figura 1. Transferência das famílias que viviam próximas ao Plano Piloto para a atual Ceilândia, década de 1970. Acervo do Arquivo Público do DF. Figura 2. Ação do DF Legal para remoção forçada de famílias residentes em área próxima ao CCBB há mais de 30 anos. Foto: Bruno Stuckert. Disponível em: http://www.cronologiadourbanismo.ufba.br/apresentacao.php?idVerbete=1625 Se uma ambulante, por exemplo, se desloca diariamente por pelo menos duas horas e em dois ônibus, da periferia ao centro, é porque é ali que ela conseguirá vender seus produtos e assim garantir o sustento de sua família. Mas o GDF acha que, para trabalhar, ela precisa se cadastrar em sua RA. Se um vendedor de balas decide morar no Setor Comercial Sul (SCS), ele não dorme na rua com sua família porque quer, e sim porque foi a alternativa que encontrou. Mas o GDF acha que a oferta de moradia em áreas centrais só deve acontecer se os especuladores imobiliários e empresários o fizerem. Se um alcoólatra foi viver na rua, longe de seus laços, por não conseguir conviver em seu ambiente familiar, é porque talvez não tenha encontrado outro caminho. Mas o GDF acha que em quinze dias vai resolver o problema da população de rua do SCS e que não precisa mais de Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) por lá. As justificativas que vem sendo trazidas pelos governos, em geral, são fundamentadas na garantia da ordem urbanística, além da defesa do patrimônio histórico do Conjunto Urbanístico de Brasília (CUB). Entretanto, a política adotada vai de encontro às discussões progressistas tanto nas questões urbanísticas quanto em relação ao patrimônio. Do ponto de vista urbanístico, muito se discute desde a década de 1960, com Jane Jacobs e outros importantes estudiosos, sobre os danos de um planejamento higienista e de uma cidade setorizada e hierarquizada socialmente para a qualidade de vida urbana. Além de formar indivíduos que não sabem dialogar com o diferente, por crescerem dentro de suas “bolhas”, essa lógica fortalece os processos de segregação e aprofunda as desigualdades sociais. Processos de segregação estruturais, como observamos no Distrito Federal, não serão rompidos de uma hora pra outra. O Estado não pode agir de modo impositivo e discriminatório sobre quem já é excluído e invisibilizado. Deve sim promover processos de mediação e ampla participação social na construção das políticas públicas. Quanto ao patrimônio, é importante ressaltar que ele não é estático e engessado. Ao contrário, o conceito de patrimônio evoluiu nas últimas décadas para o entendimento de que os conhecimentos, valores e práticas do quotidiano são elementos fundamentais da cultura, e devem ser preservados enquanto memória construída socialmente e historicamente. A partir desse entendimento - que fundamenta a proteção do patrimônio imaterial, por exemplo -, o tombamento de Brasília não pode estar amarrado a um plano, a uma ideia, sem considerar a dinâmica viva do território. O Plano Piloto como patrimônio deve incorporar os diferentes atores que fazem a cidade existir e que protagonizam os usos e atividades que configuraram, na prática, a identidade do lugar. Sempre fizeram parte dessa identidade da área central de Brasília os ambulantes da Rodoviária, que com seus sons e modos de ocupar o espaço são marcantes na dinâmica própria dessa porção da cidade, da formação de sua imagem no imaginário da população. Figura 3. Ambulantes na plataforma da Rodoviária Disponível em: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2019/11/18/ambulantes-sao-proibidos-de-vender-na-esplanada-dos-ministerios-e-no-centro-de-brasilia.ghtml É incabível, portanto, que as ações do GDF utilizem de argumentos pautados em questões urbanísticas e de patrimônio para justificar suas atitudes violentas, arbitrárias e de violações dos direitos humanos. Isso sem falar que infringem diferentes arcabouços legais, como a Lei Distrital 6.190/2018 e o Decreto 39.769/2019, que regulamentam a atividade ambulante, e a Lei 6.657/2020 que estabelece diretrizes para enfrentamento da COVID-19 nas periferias e proíbe a remoção de ocupações e a efetivação de ordens de despejo.
O GDF deve interromper imediatamente essas ações e determinações e modificar sua abordagem sobre o centro. Isso inclui cessar as remoções forçadas de pessoas em situação de rua, dos ambulantes, e todas as pessoas que se encontram em situação vulnerável. Inclui também a revogação da Ordem de Serviço no. 135/219, emitida pela Administração do Plano Piloto, a qual utiliza de forma arbitrária o tombamento de Brasília para justificar atitudes higienistas, com intuito claro de afastar a população vulnerável das áreas nobres do Plano Piloto. Seguiremos nos posicionando e lutando pelos conceitos acima colocados, entendendo que é nosso papel como entidades trazer educação urbanística e patrimonial a todos os cidadãos, incluindo nossos governantes. Assinam:
Em época de exacerbação das desigualdades socioespaciais causada por uma pandemia de proporção apenas comparável com a da gripe de 1918, o debate relacionado ao modo que construímos nossas cidades torna-se ainda mais urgente. São inúmeras as possibilidades de aproximação ao problema, mas o IAB DF entende que duas são fundamentais: a Assistência Técnica de Habitação de Interesse Social e os Concursos Públicos de Projeto.
A partir do dia 12 de maio de 2020, serão transmitidas, semanalmente, ao vivo nas contas do IAB DF no Youtube e no Facebook, conversas com convidados de grande relevo na discussão destes temas, de maneira a avançar no debate e democratizar estes assuntos para um público cada vez maior. A primeira transmissão com tema “O que são os Concursos?”, nosso convidado será o arquiteto Fabiano Sobreira, referência nacional em estudos sobre assunto, que além de acumular o conhecimento de coordenação e julgamento, também participa de disputas de projeto. A mediação será feita pela presidenta do IAB DF, arquiteta Heloísa Moura, que tem experiência em participação, coordenação e júri de concursos. Na semana seguinte, serão discutidas as experiências com Concursos Públicos de Projetos em áreas de regularização de interesse social no Distrito Federal entre 2015 e 2018 com a participação do arquiteto Gilson Paranhos, então Presidente da CODHAB/DF, ex-presidente e conselheiro vitalício do IAB. O encontro será mediado pela Conselheira do IAB DF, LaÍs Petra, que estuda os certames realizados CODHAB DF. Na terceira live, a discussão será sobre as intervenções através de concurso de projeto realizadas na cidade do Conde - Paraíba, com a participação do arquiteto Flávio Tavares, secretário de Planejamento da cidade e conselheiro superior do IAB PB e a Arquiteta Aída Pontes, que foi jurada do concurso e é atualmente a presidente do IAB PB. O mediador será o arquiteto Luiz Sarmento, conselheiro superior do IAB DF com experiência em coordenação e julgamento de concursos de projeto. A experiência do Concurso "Uma escola para Guiné Bissau", de 2010, será o tema da quarta semana. A conversa será mediada pelo Arquiteto João Augusto, coordenador da comissão de Concursos do IAB DF e vencedor do concurso “uma nova marca para a CODHAB”. O modo "como os concursos são e poderão ser incorporados pela gestão pública" será o tema da última live desta sequência temática, que terá dois convidados. O primeiro será o arquiteto Thiago de Andrade, ex-secretário da SEGETH DF, responsável pela realização do concurso da "Orla do Lago Paranoá", em 2018, ex-presidente e atual conselheiro fiscal do IAB DF. O Segundo convidado será o Arquiteto Luiz Otávio Rodrigues, com experiência em coordenação de concursos, ex- presidente e atual conselheiro superior do IAB DF. Aguardamos sua participação! --- >>Youtube oficial do IAB DF. Confira o calendário de eventos online do IAB DF. Acompanhe também o calendário completo de Lives de todos os departamentos do IAB. Evento Comissão de concursos IAB DF - Gestão 2020/2022 João Augusto Pereira Jr, Laís Petra Lobato Martins, Luiz Otavio Rodrigues, Luiz Eduardo Sarmento, Heloisa Melo Moura, Celio Melis Jr, Evelyn Marques Coodenação João Augusto Pereira Jr. Laís Petra Lobato Martins Apoio técnico Heloísa Melo Moura José Henrique Freitas Luiza Rego Dias Coelho Arte Luiz Eduardo Sarmento O Instituto de Arquitetos do Brasil está realizando eventos online, levando para sua casa discussões sobre diversos temas relacionados à arquitetura e urbanismo.
O calendário que reúne as LIVES realizadas por todos os departamentos do instituto está disponível aqui! #ficaemasa Coordenação Comissão de Administração do Conselho Superior do IAB , gestão 2020 Execução Laís Petra Lobato Martins |
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