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Terceiro encontro aprofundou debates sobre mobilidade urbana, espaço público, paisagem, meio ambiente e planejamento territorial. O Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento Distrito Federal (IAB/DF) realizou, na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, no espaço MemoUnB, o 3º Encontro da Comissão de Política Urbana (CPU), dando continuidade ao processo de construção coletiva da Carta aos Candidatos e Candidatas para as eleições de 2026. A atividade reuniu contribuições para atualizar e aprofundar as propostas do IAB/DF diante dos principais desafios urbanos, territoriais e ambientais do Distrito Federal. Durante a abertura, foi reafirmada a importância da CPU como espaço permanente de formulação, reflexão crítica e construção coletiva de propostas, fortalecendo o diálogo entre conhecimento técnico, sociedade e territórios. O encontro teve como foco os eixos 03 – Mobilidade Urbana, Uso do Solo e Espaço Público e 04 – Paisagem, Meio Ambiente, Urbanização e Patrimônio. Mobilidade urbana e direito à cidade
No eixo da mobilidade, a CPU reafirmou a necessidade de pensar a cidade a partir das pessoas, e não dos veículos, relacionando transporte, uso do solo, segregação territorial e direito à cidade. Entre as propostas discutidas estão a ampliação dos investimentos no transporte público, a integração entre o Distrito Federal e os municípios da Área Metropolitana de Brasília, a melhoria da integração tarifária, a ampliação da mobilidade cicloviária e a requalificação das calçadas. Também foram debatidas medidas de desestímulo ao uso do automóvel, maior transparência e controle social sobre o sistema de transporte e a valorização dos modos ativos de deslocamento. O debate destacou ainda a necessidade de considerar as desigualdades territoriais no planejamento da mobilidade, reconhecendo que os deslocamentos cotidianos afetam de maneira distinta as populações das diferentes Regiões Administrativas e municípios do entorno. Paisagem, meio ambiente e planejamento territorial No eixo de Paisagem, Meio Ambiente, Urbanização e Patrimônio, a discussão propôs uma compreensão ampliada e sistêmica da paisagem, considerando as relações entre território, ambiente natural e urbano, recursos hídricos, biodiversidade, ocupação do solo e formas de apropriação dos espaços pela população. Entre as propostas discutidas estão a integração entre áreas urbanas e rurais, a valorização e conexão dos remanescentes de Cerrado por meio de corredores ecológicos e sistemas de áreas verdes, a proteção das áreas de recarga de aquíferos e o fortalecimento da segurança hídrica. Também foram destacadas estratégias de infraestrutura verde, como jardins de chuva e sistemas de infiltração, além da conservação, reuso e redução do consumo de água. O encontro também incorporou a crise climática ao debate sobre planejamento urbano, com discussões sobre estratégias de adaptação e resiliência, requalificação e retrofit de edificações e novas abordagens para a ocupação do território. As contribuições apresentadas durante o encontro serão sistematizadas pela CPU e incorporadas à elaboração da Carta, mantendo o caráter de escuta ativa e construção coletiva que orienta o trabalho da comissão. Próximo encontro O ciclo de debates terá continuidade no dia 18 de setembro de 2026, com a realização do 4o Encontro da CPU/IAB-DF, que terá como pauta os dois últimos eixos da Carta: Eixo 05 – Gestão Democrática do Território e Participação Social Eixo 06 – Patrimônio Cultural Com a conclusão dos seis eixos, a Comissão de Política Urbana avançará na sistematização e consolidação da Carta aos Candidatos e Candidatas, documento que reunirá as propostas do IAB/DF para o Distrito Federal nas eleições de 2026. Contribuições As contribuições complementares relacionadas aos debates da Comissão de Política Urbana podem ser encaminhadas pelo e-mail [email protected], para subsidiar a elaboração e sistematização da Carta. A CPU reforça que as contribuições recebidas serão analisadas no processo coletivo de construção do documento, sem divulgação individualizada das falas ou posicionamentos apresentados durante as reuniões, seguindo a metodologia adotada pela comissão. Para o IAB/DF, a continuidade dos trabalhos da CPU reafirma o compromisso da entidade com a construção de um Distrito Federal mais democrático, inclusivo, sustentável e socialmente justo, fortalecendo o diálogo entre técnica, sociedade e territórios. Mais informações Comissão de Política Urbana (CPU/IAB-DF) [email protected] Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento Distrito Federal (IAB/DF) www.iabdf.org.br [email protected] (61) 99285-5308 Esse projeto conta com o apoio das Casas Universitárias de Cultura, da Diretoria de Difusão Cultural do Decanato de Extensão da Universidade de Brasília.
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O Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento do Distrito Federal (IAB/DF) manifesta seu profundo pesar pelo falecimento da arquiteta e urbanista Maria Elisa Modesto Guimarães Costa, filha de Filha de Julieta Modesto Guimarães e Lúcio Marçal Ferreira Ribeiro de Lima Costa, e importante figura da história da arquitetura e do urbanismo de Brasília. Ao longo de sua trajetória, Maria Elisa manteve uma relação profunda com Brasília, não apenas por sua atuação profissional na construção da cidade, mas também por seu compromisso com a defesa de suas características urbanísticas e arquitetônicas e com a preservação da memória e do legado de seu pai. Sua atuação esteve ligada à compreensão de Brasília como uma obra urbana singular, cuja preservação deveria caminhar junto à possibilidade de transformação da cidade. Ao defender Brasília, Maria Elisa também se dedicou à preservação da obra de Lucio Costa, não apenas como legado familiar, mas também como patrimônio cultural mundial e como parte importante da história da arquitetura e do urbanismo brasileiros. Em suas manifestações públicas, procurou preservar a compreensão do Plano Piloto a partir de seus princípios originais, chamando atenção para os impactos de intervenções que poderiam comprometer sua estrutura urbana e sua identidade. Na década de 1980, participou, ao lado de Adeildo Viegas, da elaboração do estudo Brasília 57-85: do plano-piloto ao Plano Piloto, que analisou as transformações ocorridas na cidade e estabeleceu critérios para intervenções, usos e preservação do Plano Piloto. O trabalho contou com a supervisão de Lucio Costa e integrou o debate sobre a proteção das características fundamentais da cidade. Sua atuação na defesa de Brasília esteve presente também em conselhos e instâncias voltadas à preservação da cidade. Em diferentes momentos, Maria Elisa posicionou-se publicamente sobre intervenções que considerava capazes de comprometer as características essenciais do Plano Piloto. Em 2004, participou do lançamento da Frente Parlamentar em Defesa de Brasília e foi reconhecida como uma das defensoras da capital. Como presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 2003, Maria Elisa ampliou sua atuação na preservação do patrimônio. Também esteve à frente da Associação Cultural Casa de Lucio Costa, dedicando-se por décadas à organização, preservação e difusão da produção de seu pai. Nesse trabalho, reuniu um importante acervo documental sobre a vida e a obra de Lucio Costa e participou da edição de uma publicação dedicada à sua trajetória. Parte desse acervo encontra-se sob custódia da Associação Cultural Casa da Arquitectura, em Matosinhos, Portugal, instituição que reúne espólios de arquitetos de diferentes partes do mundo. Segundo informação do Conselheiro Superior do IAB/DF, Moraes de Castro, cópia de parte desse acervo também está sob custódia do Arquivo Público do Distrito Federal, em Brasília. Nascida em 22 de outubro de 1934, no Rio de Janeiro, na infância, Maria Elisa e sua irmã Helena acompanharam o pai nas conferências e viagens de trabalho, experiências que permitiram o contato direto com a arquitetura e alguns de seus grandes representantes, a exemplo do célebre arquiteto suíço Le Corbusier, com quem a família manteve relação próxima. Maria Elisa cursou arquitetura entre 1954 e 1958, na Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil. Uma década antes de seu ingresso, a faculdade havia se desvinculado da tradicional Escola Nacional de Belas Artes, onde seu pai graduou-se em 1924, e hoje a instituição corresponde à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em entrevista para o programa de história oral do Arquivo Público do Distrito Federal, a arquiteta rememorou momentos de seu quarto ano de faculdade, quando o pai desenhava os primeiros esboços para o projeto da nova capital. Na data-limite para submissão das propostas ao Concurso de Brasília, organizado pelo IAB, Maria Elisa e sua irmã acompanharam Lucio Costa até o edifício do Ministério da Educação e Saúde, onde o material foi entregue. Em 1959, após sua graduação, Maria Elisa iniciou seu trabalho no Departamento de Urbanismo e Arquitetura (DUA) da Novacap, no Rio de Janeiro, sob direção do engenheiro Augusto Guimarães Filho. O trabalho desenvolvido pela arquiteta no DUA incluiu o detalhamento de projetos diversos para Brasília, com enfoque no desenho urbano. Entre as contribuições de Maria Elisa para Brasília está o detalhamento de importantes espaços urbanos que integram a paisagem da cidade, como a fonte da Torre de TV e a Praça dos Pedestres na plataforma superior da rodoviária, elementos que contribuíram para a construção e a configuração dos espaços públicos da capital. Projetou também o edifício sede da Panair no Brasil (não construído), em conjunto com o arquiteto Elias Kaufman, primeira obra com coautoria feminina em Brasília publicada em periódico. Maria Elisa Costa deixa uma contribuição que ultrapassa sua produção como arquiteta e urbanista. Sua atuação na construção de Brasília, sua dedicação à preservação da cidade e seu trabalho de organização e difusão da obra de Lucio Costa fazem parte da história da arquitetura e do urbanismo brasileiros.
O IAB/DF se solidariza com seus familiares, amigos, colegas e com todos aqueles que tiveram a oportunidade de conviver com Maria Elisa Costa e aprender com sua trajetória. Maria Elisa Costa deixa uma importante contribuição para a história de Brasília e para a defesa de sua preservação, em uma trajetória ligada à proteção de uma cidade que integra o patrimônio cultural brasileiro e mundial. |
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Agosto 2026
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